BC aprova transferência de controle do Master para Daniel Vorcaro

De acordo com a Lei de Acesso à Informação, o Banco Central (BC) divulgou documentos que mostram os extratos de votos dos diretores da instituição, os quais possibilitaram a transferência de controle do antigo Banco Máxima (atualmente Master) para Daniel Vorcaro.

Em 2019, ocorreu uma mudança significativa de posicionamento em um curto período de oito meses, durante a transição da gestão de Ilan Goldfajn, que foi indicado por Michel Temer para liderar o banco, para Roberto Campos Neto, que assumiu o cargo por indicação de Jair Bolsonaro.

No mês de fevereiro daquele ano, conforme o documento publicado pela coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, o então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Sidnei Corrêa Marques, rejeitou a transferência de controle.

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Ele concluiu que Vorcaro não conseguiu comprovar a origem dos recursos aplicados no banco.

A fiscalização da época constatou que uma parte significativa dos fundos utilizados na aquisição proveniente do próprio Banco Máxima, por meio de transferências entre a instituição, empresas de Vorcaro e fundos de investimento.

Foram também detectados sinais de superfaturamento em imóveis utilizados como garantia para comprovar a capacidade financeira, com laudos considerados frágeis e incoerentes pela equipe técnica.

Oito meses depois, já sob a direção de Roberto Campos Neto, o novo diretor João Manoel Pinho de Mello autorizou a operação.

Diferentemente do voto anterior, Pinho de Mello aceitou as previsões de fluxo de caixa das empresas de Vorcaro e laudos sobre o valor de mercado de seus investimentos.

O diretor argumentou que os resultados das empresas de Vorcaro em 2018 eram compatíveis com as projeções, o que demonstraria uma capacidade econômico-financeira adequada para assumir o controle.

“Entretanto, neste processo, novas avaliações foram realizadas pelo Deorf, com base na documentação fornecida pelo interessado, onde se verificou a compatibilidade das projeções com os resultados de suas empresas até 31 de dezembro de 2018, os quais foram parcialmente distribuídos em 2019, evidenciando que o total de recursos esperados para este ano está realmente se concretizando”, afirma o diretor em seu voto.

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