Banco Master efetua pagamento de R$ 109 milhões a advogado em prisão

Daniel Monteiro, advogado do Banco Master. Foto: reprodução

O Banco Master informou à Receita Federal que realizou pagamentos totalizando R$ 109 milhões a empresas que têm como um de seus sócios o advogado Daniel Monteiro, considerado nas investigações como um aliado próximo do banqueiro Daniel Vorcaro. Esse valor foi transferido entre 2022 e 2025 e agora está sendo investigado no contexto de um suposto esquema de desvio de recursos, utilização de empresas intermediárias e pagamento de propinas a autoridades.

Daniel Monteiro foi detido sob a suspeita de gerenciar fundos utilizados para desviar dinheiro do Banco Master, facilitando repasses ilegais. A investigação indica que o advogado criava estruturas empresariais com o intuito de dificultar o rastreamento dos valores e ocultar as transações financeiras.

De acordo com informações do Globo, parte do dinheiro, conforme os dados da Receita, foi destinada ao escritório de advocacia do qual ele fazia parte, além de uma empresa de consultoria a ele associada.

A defesa de Monteiro contesta a acusação e declara que “repudia veementemente” a alegação dos investigadores de que ele seria um “operador financeiro” e “ainda mais com o intuito de desviar recursos do Banco ao qual prestava serviços jurídicos e de consultoria”.

Em uma declaração adicional, a defesa afirma: “Todas as notas fiscais emitidas, tanto pelo escritório de advocacia do qual Daniel Monteiro foi sócio quanto pela empresa de consultoria Mytra, dizem respeito a serviços legais e efetivamente prestados, sendo todas devidamente declaradas”. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até o momento.

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

Os dados mostram que o escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht recebeu R$ 79 milhões nesse período. Dentre os escritórios de advocacia, esse valor é apenas inferior ao que foi declarado pelo Banco Master ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, que obteve R$ 80,2 milhões em 2024 e 2025. Além disso, a Mytra Consultoria recebeu R$ 30 milhões do banco, sendo R$ 7 milhões na declaração de 2024 e R$ 22 milhões na de 2025.

A Polícia Federal alegou que empresas de fachada foram utilizadas para receber recursos de fundos associados à Reag e realizar pagamentos relacionados a seis imóveis que Vorcaro prometeu ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Na decisão que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça afirmou: “Essas pessoas jurídicas, originalmente criadas por conhecidos fornecedores de sociedades de prateleira, mudaram sua razão social, objeto, sede, diretoria e capital social em um curto período, tornando-se veículos específicos para a recepção de recursos provenientes de fundos conectados à REAG e subsequente aquisição dos imóveis”.

Para Mendonça, o “arranjo” evidencia o “domínio prático” de Monteiro sobre “mecanismos de ocultação”.

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