Bancários paralisam atividades por 24 horas e cobram melhores condições

Bancários realizam nesta quinta-feira (20) uma paralisação nacional. A mobilização atinge bancos públicos e privados e acontece após a recusa da proposta draconiana da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que visava restringir direitos, ao passo que não sinalizou com aumento real nos vencimentos dos trabalhadores.

O Comando Nacional dos Bancários apresentou, na oitava rodada de negociação com a Fenaban realizada na terça-feira (18), os resultados das plenárias realizadas por todo o país, em que 97% dos mais de 50 mil trabalhadores envolvidos nas assembleias rejeitaram a proposta dos bancos.

A categoria unida rechaçou a tentativa de congelamento do piso para novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais. Com a firme posição dos trabalhadores, a federação dos bancos recuou nesses quesitos.

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Os sindicatos dos bancários pedem como reajuste 5% de aumento real, além da reposição da inflação, o aumento do piso salarial para que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44), bem como aumentos nos vales alimentação e refeição e na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Também faz parte das reivindicações a criação de um piso para os trabalhadores de tecnologia da informação (TI) que atuam nos bancos, uma categoria que tem ganhado cada vez mais relevância com o avanço da digitalização bancária, mas que carece de ganhos compatíveis com os pagos pelo mercado.

Os bancários embasam seus pedidos em dados, pois, em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões e o patrimônio líquido do setor atingiu R$ 1,2 trilhão.

A próxima rodada de negociações deve acontecer na próxima segunda-feira (24). Com isso, a paralisação dessa quinta visa mandar um forte recado aos patrões sobre a disposição da categoria em levar adiante a pauta.

Paralisações

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) acompanha a mobilização e defende a unidade e a organização da categoria na luta por valorização profissional, melhores salários e condições dignas de trabalho.

O Sindicato dos Bancários da Bahia realizou um protesto propositivo em meio à campanha salarial. Os funcionários do Banco do Brasil doaram sangue como forma de chamar a atenção, uma vez que entendem que “dão o sangue” pela empresa enquanto não recebem valorização.

Na base do Sindicato dos Bancários de Sergipe, a paralisação atingiu 100% das agências da Caixa em todo o estado e também foi responsável por manter fechadas, no capital e no interior, unidades do Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banese. 

“Um sucesso! Nossa unidade decidida em assembleias virtuais e a mobilização dentro das agências garantiram o cumprimento da decisão de paralisação de 24 horas. Nas nossas assembleias realizadas na última segunda-feira, dia 17, mais de 90% dos trabalhadores aprovaram a paralisação e 97% rejeitaram as propostas patronais, que previam o congelamento do piso de ingresso e o reajuste salarial escalonado em três faixas”, afirmou o presidente do sindicato de Sergipe, Adilson Azevedo.

Fotos: Sindicato dos Bancários de Sergipe

O mesmo se deu com o Sindicato dos Bancários de Chapecó e Região (SC), que informou que ficaram fechadas as agências da Caixa Desbravador, Caixa Centro, Caixa Efapi, Banco do Brasil Centro e Itaú Centro. 

“Estamos mobilizados para pressionar os bancos, que têm agido de má vontade nas negociações. Os bancos lucraram R$ 255 bilhões no ano passado e têm todas as condições de atender às nossas reivindicações por valorização e melhores condições de trabalho”, disse o presidente da entidade, Cesar Valduga.

*Com informações dos Bancários de Sergipe e de Chapecó

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