
Um avião de transporte militar Boeing C-17 Globemaster III dos Estados Unidos pousou em Moscou nesta terça (25), em uma viagem incomum desde o início da invasão russa da Ucrânia. A rede CBS afirmou que o diretor da CIA, John Ratcliffe, estava a bordo; o site Axios publicou a mesma informação, sem detalhar o objetivo da visita.
O voo alimentou especulações sobre uma missão diplomática relacionada à Guerra da Ucrânia ou uma possível troca de prisioneiros. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse não ter informações sobre a aeronave, cujo deslocamento apareceu em plataformas de monitoramento de tráfego aéreo.
O C-17 decolou da Base Conjunta Andrews, nas proximidades de Washington, e fez escala em Riga, capital da Letônia. No local, estacionou perto de um C-40B, versão militar do Boeing 737/700 usada para transporte de autoridades americanas.
Da Letônia, o cargueiro seguiu para o aeroporto de Vnukovo e pousou às 10h04 no horário de Moscou, 4h04 em Brasília. O avião manteve o sistema de localização ligado durante o percurso e entrou no espaço aéreo russo pela primeira vez desde 2022.

Viagem ocorre em meio a contatos sobre a guerra
O C-17 pode transportar uma cabine VIP conhecida como “Bala de Prata”, o que levantou a hipótese de que uma autoridade tenha usado a aeronave. Veículos russos também divulgaram vídeos de carros com placas diplomáticas cruzando o centro de Moscou sob escolta policial.
Enviados do presidente Donald Trump para as negociações sobre a Ucrânia, Steve Witkoff e Jared Kushner, fizeram oito viagens a Moscou neste ano. Nas visitas anteriores, eles utilizaram jatos executivos, entre eles o Gulfstream C-37B da Força Aérea americana.
No mesmo dia do pouso, o arcebispo Paul Richard Gallagher, enviado do Vaticano, reuniu-se com o chanceler russo Serguei Lavrov em Moscou. Gallagher declarou que a Igreja Católica está pronta para atuar como mediadora e defendeu diálogo para encerrar o conflito.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou haver “uma janela de possibilidade” para mediação dos EUA até o verão de 2027 no Hemisfério Norte. Ele voltou a propor uma área administrada por um “terceiro ator” em Donetsk e uma força internacional de paz, enquanto Peskov rejeitou as ideias e declarou: “O Donbass é parte da Rússia”.