Assessor de Trump que xingou brasileiras foi cafetão de Epstein e é protegido de Melania

Amanda Ungaro, Paolo Zampolli, Donald e Melania Trump. Foto: reprodução

Uma reportagem investigativa do jornalista Sacha Biazzo, exibida pela RAI, da Itália, coloca o nome de Paolo Zampolli no centro de uma rede que conecta o escândalo de Jeffrey Epstein ao universo político e ao mercado internacional de modelos.

Aliado próximo de Trump e apontado como figura-chave na ascensão de Melania Trump, Zampolli aparece na reportagem “La Guerra di Epstein” como um elo entre poder, influência e um sistema de recrutamento de jovens mulheres nos anos 1990.

A investigação ganha ainda mais peso após declarações públicas do próprio Zampolli, que atacou mulheres brasileiras — incluindo sua ex-esposa, a modelo Amanda Ungaro.

Ofensas, misoginia e xenofobia explícita

Durante entrevista à RAI, Zampolli fez uma série de declarações ofensivas, registradas em vídeo. “As mulheres brasileiras são programadas para causar confusão”, falou.

Questionado se isso seria algo genético, ele respondeu: “São programadas.”

A conversa escalou para ataques ainda mais agressivos. “É uma dessas putas brasileiras… essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais.

Aquela vaca… estávamos juntos, eu transava com ela, depois ela também ficou louca”, declarou.

As falas ocorreram ao comentar sua relação com Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase 20 anos e com quem disputa a guarda do filho nos Estados Unidos.

Segundo relatos mencionados na investigação, Zampolli também teria mobilizado seus contatos com autoridades migratórias americanas durante o conflito judicial, o que culminou na deportação de Ungaro — ponto contestado e envolto em disputa legal.

O elo com Epstein e o mercado de modelos

De acordo com a investigação da RAI, Zampolli não era apenas um empresário no setor da moda — ele ocupava uma posição estratégica em uma engrenagem maior:

  • Fundador de agência de modelos em Nova York
  • Ligado ao agente Jean-Luc Brunel, posteriormente acusado de recrutar jovens para Epstein
  • Inserido em redes que facilitavam a chegada de modelos estrangeiras aos EUA

Amanda Ungaro relata que sua própria trajetória passou por esse circuito. “Eu era muito jovem. Fui levada para os Estados Unidos sem entender exatamente onde estava entrando”, afirmou.

Segundo ela, a viagem inicial teria ocorrido em um avião associado a Epstein — uma alegação que reforça a hipótese, levantada no documentário, de um sistema internacional estruturado de aliciamento.

Trump, Melania e a rede de proteção

Zampolli ocupa hoje posição oficial como enviado especial ligado ao governo Trump, mas sua influência vem de décadas atrás.

Ele é frequentemente apontado como o responsável por apresentar Melania a Trump — versão que ajudou a consolidar sua proximidade com o casal.

A investigação mostra que:

  • Zampolli permanece protegido dentro do círculo político trumpista
  • Sua relação com Melania é central para sua permanência no entorno do poder
  • O grupo formado por empresários, agentes e figuras políticas atuava de forma interligada

Amanda Ungaro, no entanto, contesta partes dessa narrativa. “A história que contam sobre como Melania conheceu Trump não é bem assim”, disse.

Ungaro surge como uma personagem central e incômoda na investigação.

Ela relata um relacionamento marcado por conflitos e desequilíbrio de poder, com uso de drogas e violência doméstica. “Eu vivi situações de abuso e controle. Não era um relacionamento normal”, contou.

Ungaro relatou ter sido vítima de socos no rosto quando recusava relações sexuais e apresentou fotos de hematomas como prova. Ele nega as acusações e diz que ela tenta prejudicá-lo.

Zampolli foi confrontado na entrevista sobre ligações com Jeffrey Epstein, empresário americano condenado por crimes sexuais, que morreu em 2019, após uma troca de emails.

Documentos do caso Epstein mostram que os dois tentaram comprar uma agência de modelos em um leilão. O italiano, dono da agência ID Models, afirma que o empresário o procurou para a compra, que não foi concretizada.

Artigo Anterior

GCM de Ricardo Nunes copia polícia do Rio e cerca favela para vingar morte de agente

Próximo Artigo

Ministério repudia assessor dos EUA que chamou brasileiras de “raça maldita”

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!