
A nova rodada de pesquisas estaduais da Quaest traz um saldo positivo para a campanha do presidente Lula (PT). Nas regiões em que o bolsonarismo é tradicionalmente mais forte, as vantagens do candidato Flávio Bolsonaro (PL) não é tão grande como se esperava. Nas áreas mais afeitas ao petismo, por outro lado, as diferenças são maiores. O resultado decepciona a extrema-direita, que esperava que o desgaste causado pelo noticiário da grande mídia que centrou fogo no ‘caso Lulinha’ não surtiu o efeito esperado. Confira:
Em São Paulo, Flávio aparece numericamente à frente, com 30%, contra 29% de Lula. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos. Em julho, o senador tinha 34% e o presidente, 30%. Flávio recuou nominalmente quatro pontos, enquanto Lula oscilou de 30% para 29%, reduzindo a distância entre ambos de quatro para um ponto. A comparação exige cautela, mas representa um revés para a vantagem que o bolsonarista mantinha no maior colégio eleitoral do país.
No Rio de Janeiro, reduto eleitoral da família Bolsonaro, Flávio registra 31% e Lula, 29%. O resultado também configura empate técnico. Em Minas Gerais, o senador tem 31% e o petista, 30%, novamente dentro da margem. Com Pablo Marçal incluído, os dois ficam numericamente empatados, com 31%.
O Distrito Federal produz um dos resultados mais simbólicos da rodada. Lula aparece numericamente à frente, com 28%, contra 26% de Flávio, embora a margem de três pontos determine empate técnico. Ronaldo Caiado ocupa a terceira posição, com 13%. Em 2022, Jair Bolsonaro alcançou no Distrito Federal 48% dos votos válidos no primeiro turno.
Goiás não integrou a rodada. Na pesquisa estadual anterior da Quaest, divulgada em julho, Caiado tinha 33%, Flávio aparecia com 27% e Lula registrava 23%. Em Mato Grosso, Flávio marca 43% e Lula, 26%, no cenário sem Marçal. Em Mato Grosso do Sul, o placar é de 33% a 27% para o senador. A diferença sul-mato-grossense é de seis pontos, enquanto a margem é de três pontos para cada estimativa. O Espírito Santo permanece sem levantamento.

Sul
Paraná e Santa Catarina continuam sendo as fortalezas mais evidentes de Flávio Bolsonaro. No Paraná, o senador marca 41%, contra 23% de Lula. Em Santa Catarina, chega a 45%, enquanto o presidente tem 20%. São os dois únicos estados da rodada nos quais o candidato do PL lidera fora da margem de erro.
No Rio Grande do Sul, Flávio aparece com 34% e Lula, com 28%. A diferença de seis pontos configura empate técnico no limite da margem de três pontos: o piso de Flávio e o teto de Lula se encontram em 31%. Entre as mulheres gaúchas, Lula aparece numericamente à frente, com 29%, contra 28% do adversário; entre os homens, Flávio abre 41% a 27%.
Porto Alegre entraria diretamente na estratégia petista para tentar avançar no estado. Lula faria na sexta-feira (28) seu primeiro comício da campanha gaúcha, no Largo Glênio Peres, mas o ato foi adiado devido à previsão de chuva forte. A campanha trabalha com uma nova data em setembro. A Quaest, porém, apresenta um resultado estadual e não permite atribuir à capital os percentuais registrados no conjunto do Rio Grande do Sul.
O petista consegue manter o Rio Grande do Sul competitivo, mas Flávio lidera com vantagem ampla no Paraná e em Santa Catarina.
Norte e nordeste
No Norte, Amapá, Amazonas e Tocantins trazem números favoráveis a Lula. No cenário sem Marçal, o petista marca 36% no Amapá, contra 33% de Flávio. No Amazonas, a simulação que inclui Marçal dá 38% a Lula e 35% ao senador. No Tocantins, Lula registra 37% contra 32% no cenário sem o empresário e 39% a 32% quando ele é incluído.
Rondônia segue a direção oposta e confirma a força bolsonarista no estado. Flávio tem 45%, diante de 25% de Lula, no cenário sem Marçal. O resultado impede uma leitura uniforme da região Norte, mas contrasta com as vantagens numéricas do presidente nos outros estados pesquisados nessa nova leva.
O presidente marca 44% em Alagoas, contra 29% de Flávio; chega a 58% no Maranhão, ante 20%; tem 54% em Pernambuco, contra 19%; e registra 56% no Rio Grande do Norte, diante de 19% do senador.
A Paraíba ampliou esse quadro favorável. Lula alcança 50%, enquanto Flávio tem 21% no cenário sem Marçal. Quando o empresário é incluído, o placar passa para 55% a 22%. A aprovação do governo Lula também chega a 61% entre os paraibanos, contra 35% de desaprovação. Bahia e Ceará não participaram desta leva, mas levantamentos anteriores apontaram Lula com 49% contra 19% de Flávio na Bahia, em maio, e com 55% diante de 22% no Ceará, em julho.
A rodada não alcança as 27 unidades da Federação. Bahia, Ceará e Goiás aparecem apenas como referências de pesquisas anteriores, enquanto Acre, Espírito Santo, Pará, Piauí, Roraima e Sergipe não tiveram pesquisas divulgadas pela Quaest. No conjunto dos estudos citados, as entrevistas ocorreram entre 20 e 24 de agosto, com amostras de 804 a 1.800 eleitores. A margem de erro é de dois pontos em São Paulo e de três pontos nas demais unidades, com nível de confiança de 95%.
Os registros são AL-05503/2026, DF-06256/2026, MA-02558/2026, MG-04060/2026, PE-07828/2026, PR-05388/2026, RJ-08748/2026, RN-00876/2026, RS-06875/2026, SC-00517/2026, SP-06946/2026, PB-07850/2026, MT-04846/2026 e BR-00817/2026, MS-00793/2026 e BR-04312/2026, RO-05711/2026 e BR-00490/2026, BR-08827/2026 para o Amapá, BR-06252/2026 para o Amazonas e TO-02161/2026.