A Argentina perdeu 31.342 empresas entre novembro de 2023, mês anterior à posse de Javier Milei, e junho de 2026, segundo o Monitor Mensal de Empresas elaborado pelo centro de estudos Fundar.
A redução corresponde a 6,1% do total de empresas existentes no início do governo e, de acordo com a instituição, representa a maior queda registrada nos primeiros 31 meses de uma gestão presidencial na série analisada – o estoque de empresas argentino acumula 17 meses consecutivos de queda mensal e 28 meses de retração na comparação interanual, segundo o monitor de junho.
O número de empresas passou de 512.357 em novembro de 2023 para 481.015 em junho deste ano. Somente entre maio e junho, foram 709 empresas a menos, uma redução de 0,15%. Na comparação com junho de 2025, a queda foi de 16.386 empresas, ou 3,3%.
O levantamento utiliza dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) e considera como empresa toda pessoa física ou jurídica que tenha pelo menos um trabalhador registrado em relação de dependência, excluindo o trabalho doméstico. O indicador, portanto, retrata a evolução do universo empresarial formal com empregados, e não o conjunto de todos os negócios existentes na economia argentina.
Queda atinge indústria, construção e transporte
A deterioração do tecido empresarial argentino não está concentrada em uma única atividade. Segundo o Fundar, 14 dos 18 setores analisados registraram queda no número de empresas desde a chegada de Milei ao governo.
Entre os segmentos mais afetados estão transporte e armazenamento, que perdeu 17,51% das empresas desde novembro de 2023; atividades imobiliárias, com retração de 13,99%; e construção, que recuou 9,50%. A indústria manufatureira também apresentou queda expressiva, acumulando retração de 13,81% no período.
Na comparação interanual, 14 dos 18 setores também apresentaram redução. Em junho, os segmentos de alojamento e gastronomia, transporte e armazenamento e indústria manufatureira estiveram entre os que mais perderam empresas no mês.
Há, entretanto, setores que avançaram. Serviços administrativos, associações e serviços pessoais, eletricidade e gás e saúde registraram crescimento na comparação anual. A mineração também apresentou expansão marginal no mês, mostrando que a retração não é uniforme em toda a economia.
O recuo empresarial também aparece territorialmente. Em junho, 17 das 24 províncias argentinas apresentaram redução no número de empresas em relação a maio. Na comparação anual, 23 das 24 províncias registraram queda — a única exceção foi Neuquén, com alta de 0,21%.
Desde novembro de 2023, somente Neuquén apresentou crescimento no número de empresas, de 1,4%. La Rioja, Catamarca e Tierra del Fuego tiveram as maiores retrações, de 19,7%, 14,7% e 13,9%, respectivamente.
A redução do número de empresas ocorre em paralelo a uma transformação profunda da economia argentina promovida pelo governo Milei, marcada por forte ajuste fiscal, redução de gastos públicos, mudanças regulatórias e maior abertura econômica.
A interpretação sobre as causas do fenômeno, porém, não é consensual. O Fundar associa a retração empresarial a fatores como a redução do consumo e as dificuldades enfrentadas por diferentes setores produtivos. O governo argentino, por outro lado, sustenta que o processo faz parte da reorganização de uma economia que acumulava desequilíbrios e distorções.