
O vereador Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, usou a propaganda eleitoral desta segunda (31) para responder às críticas por não ter nascido no estado. Com uma bandeira catarinense ao fundo, ele afirmou que “renasceu” no local depois de estrear no horário gratuito sem mencionar Santa Catarina.
Em pouco mais de um minuto, Carlos citou o estado quatro vezes. “Eu sei que tem gente que vai falar: ‘Mas o Carlos não nasceu em Santa Catarina’. Eu respeito quem pensa assim. Eu não nasci aqui, mas foi aqui que eu renasci”, disse.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou ter encontrado em Santa Catarina “a paz” e “a generosidade de um povo de bem que defende os mesmos valores”. Ele também prometeu: “No Senado jamais haverá uma causa de Santa Catarina que não seja minha ou do meu irmão Flávio”.
A nova peça não cita cidades catarinenses nem apresenta propostas específicas para o estado. Carlos descreveu Santa Catarina como ponto de partida para uma “jornada” nacional e afirmou que nenhum outro estado teria “tanta autoridade moral” para liderar essa caminhada.
Discurso repete vídeo divulgado em junho
As frases usadas na propaganda eleitoral já apareciam em um vídeo publicado por Carlos em 21 de junho, na mesma sequência. O material anterior incluía a afirmação de que ele teria “renascido” em Santa Catarina, críticas a um “sistema perverso” em Brasília e a promessa de defender causas do estado ao lado de Flávio Bolsonaro.
Na nova propaganda, Carlos voltou a apresentar o sobrenome como credencial política. “Sou uma ameaça para eles porque carrego Bolsonaro no nome”, afirmou, sem detalhar quem integra o grupo a que se referiu.
O primeiro programa do candidato, exibido na sexta-feira (28), concentrou-se em sua infância ao lado do pai e dos irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro. A ausência de referências a Santa Catarina provocou ironias nas redes e críticas de adversários, entre eles Afrânio Boppré (PSOL), que disputa uma vaga no Senado.
A candidatura também enfrenta resistência no PL catarinense. A chegada de Carlos ao estado, no fim de 2025, ocorreu após meses de atritos públicos e contribuiu para que o governador Jorginho Mello (PL) perdesse o apoio do senador Esperidião Amin (PP), candidato à reeleição.
Na pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto, Amin liderava a combinação dos dois votos para o Senado, com 19%. Carlos aparecia com 16%, e a deputada federal Carol de Toni (PL), sua companheira de chapa, tinha 12%; a rejeição do vereador alcançava 40%, ante 31% de Amin e 12% de Carol.