
O advogado Ciro Soares enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro o endereço da residência do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em dezembro de 2024, e depois relatou ter participado de um jantar na casa do chefe do Ministério Público Federal. As mensagens fazem parte de diálogos obtidos pelo Estadão entre Soares e o dono do Banco Master. Com informações de Estadão.
Em 10 de dezembro de 2024, após telefonar para Vorcaro, o advogado enviou uma mensagem com o texto: “Endereço do PG”. A sequência não esclarece se o banqueiro participou de algum encontro na residência de Gonet.

Gonet afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca convidou ou recebeu Vorcaro em sua casa. O procurador-geral disse que Ciro Soares participou de um evento social em sua residência com outros convidados e que o encontro não foi organizado para o advogado.
Em outra conversa, de 8 de agosto de 2024, Soares escreveu a Vorcaro: “To com PGR. Me liga aqui. Gonet queria falar com vc”. O banqueiro respondeu três horas depois: “Que pena. Não vi”.
Mensagem relata jantar e fotos mostram encontros sociais
Em 21 de março de 2025, Ciro Soares mandou nova mensagem a Vorcaro para comentar um jantar que atribuiu a Gonet. “O jantar ontem foi fantástico na casa do PG. Falamos muito de vc. Que recepção!!! Ele e a família são demais”, escreveu o advogado.
Soares também compartilhou com Vorcaro fotografias em que aparece ao lado de Gonet em eventos sociais e fora de Brasília, inclusive em momentos de lazer. O banqueiro não aparece nas imagens, e interlocutores do procurador-geral afirmaram que Gonet e o advogado não viajaram juntos, embora tenham se encontrado nesses eventos.

Gonet declarou aos pares que encontrou Vorcaro apenas uma vez, em abril de 2024, durante um evento jurídico em Londres patrocinado pelo Banco Master. “Assinalo que, afora o evento de Londres, jamais estive nem em residência do Sr. Vorcaro, nem na sede do seu Banco, nem com ele me encontrei em qualquer outro lugar”, escreveu.
Ciro Soares negou irregularidades nas conversas e afirmou que não havia investigação contra Vorcaro no período das mensagens. “Naquele período, ele era um empresário de sucesso e, portanto, seria natural que tivesse interlocução com todos os segmentos da sociedade”, disse a defesa do advogado.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou, por cinco votos a quatro, a abertura de procedimento criminal para apurar a relação entre Gonet, Vorcaro e Soares no caso Master. Após a discussão, Gonet designou os subprocuradores-gerais André de Carvalho Ramos e Edilio Magalhães Teixeira para assinar com ele as manifestações ligadas às investigações.