
O presidente Lula (PT) afirmou que quer acabar com as bets caso seja reeleito, elevando o tom contra as casas de apostas durante a campanha de 2026. O tema ganhou espaço entre presidenciáveis e candidatos a governos estaduais, que passaram a defender restrições à publicidade, fiscalização mais dura e aumento de impostos sobre o setor.
Em agenda em Florianópolis no sábado (19), Lula disse que discutirá o assunto com integrantes da equipe econômica e do Banco Central. “Eu tomei uma decisão, se depender da minha vontade, eu já fiz algumas reuniões, vou conversar com meu pessoal da Fazenda, vou conversar com meu pessoal do Banco Central, mas a verdade é que eu quero acabar com as bets”, declarou.
O petista tem associado as apostas ao endividamento das famílias e comparado as bets ao crack em discursos recentes. Lula também criticou clubes de futebol que divulgaram nota contra propostas de regulação mencionadas por ele.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa, trata do assunto em seu programa de governo com propostas de orientação financeira aos apostadores e de proibição do uso de recursos de programas sociais em apostas, restrição que já existe.

Candidatos e governos estaduais apresentam medidas contra bets
O ex-governador Romeu Zema (Novo) adotou a frase “Chega de bets” em compromissos públicos e prometeu encerrar as atividades das casas de apostas. Renan Santos (Missão) também fala em “destruir” as empresas do setor, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) defende “regulamentação dura, fiscalização e tolerância zero”.
Augusto Cury (Avante), terceiro colocado nas pesquisas citadas, propõe elevar a tributação das bets para percentuais acima de 50%. As apostas on-line receberam regras e tributação na atual gestão federal, e o Ministério da Fazenda endureceu posteriormente as normas para propaganda.
No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) restringiu em julho a publicidade de bets em espaços públicos. O candidato ao governo Eduardo Paes (PSD) elogiou a iniciativa e afirmou que pretende ampliar a proibição para todo o estado se vencer a eleição.
Em Minas Gerais, o governo de Mateus Simões (PSD), aliado e ex-vice de Zema, anunciou limitações à publicidade em equipamentos administrados pelo estado, entre eles o Mineirão. As regras também atingem a Loteria Mineira, que terá de encerrar a operação de apostas iniciada em 2023.