O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para a compra de diesel da Rússia provocou preocupação entre autoridades europeias e britânicas.
Segundo especialistas em energia citados pelo The New York Times, o acordo, caso seja implementado, poderá direcionar cerca de US$ 4 bilhões à economia russa. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a iniciativa como “um presente” a Putin.
A reação ocorre após ataques russos que, segundo o jornal, mataram 22 pessoas, incluindo três bebês, em um prédio residencial na quarta-feira, e pelo menos 30 pessoas em um ônibus na quinta-feira.
Diante do anúncio, governos europeus evitaram críticas diretas a Trump, mas reafirmaram que não pretendem alterar sua política em relação a Moscou e continuarão apoiando Kiev.
Europa mantém pressão sobre Moscou
O governo britânico declarou solidariedade à Ucrânia, enquanto a Alemanha reafirmou seu compromisso com as sanções contra a Rússia e com a discussão de novas medidas junto aos parceiros europeus.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também defendeu a continuidade da pressão econômica sobre Moscou. “Se queremos acabar com esta guerra, a única maneira de fazê-lo é colocando mais pressão sobre a Rússia”, afirmou, durante reunião de ministros das Relações Exteriores em Luxemburgo.
A reação europeia, porém, ocorre em meio a uma relação complexa com a energia russa. Desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, a União Europeia importou cerca de 238 bilhões de euros em petróleo, carvão e gás russos, o equivalente a aproximadamente US$ 266 bilhões, segundo dados compilados pelo Centro de
A maior parte dessas compras ocorreu no primeiro ano da guerra. Desde então, o bloco reduziu sua dependência, impôs sanções e estabeleceu medidas para eliminar gradualmente as importações. Ainda assim, países como Bélgica, França e Espanha continuam recebendo gás natural russo, enquanto Hungria e Eslováquia mantêm importações de petróleo.
Para o pesquisador Petras Katinas, do centro de estudos britânico Royal United Services Institute, a redução das compras europeias de energia russa foi expressiva. Na avaliação dele, mais do que o volume financeiro do acordo anunciado por Trump, o principal impacto está no sinal político transmitido por Washington.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem feito declarações favoráveis a posições russas e criticado Zelensky. No sábado, voltou a sugerir que a Ucrânia deveria escolher outro líder capaz de negociar um acordo.
A diplomacia unilateral de Trump ameaça, assim, complicar a coordenação entre os países que apoiam a Ucrânia. Formada por quase três dezenas de nações, a chamada “coalizão dos dispostos” reúne governos comprometidos com o apoio militar a Kiev e com medidas econômicas destinadas a restringir as receitas russas.
Enquanto Washington sinaliza uma possível reaproximação energética com Moscou, governos europeus tentam preservar a unidade em torno das sanções e do apoio à Ucrânia, sem provocar um confronto diplomático direto com seu principal aliado.