A obra dos EUA que desperta temor por uma Terceira Guerra Mundial

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

Os planos dos Estados Unidos para ampliar instalações militares em Palau, pequeno arquipélago do Pacífico, despertaram temor entre moradores de que o território se transforme em alvo em um eventual conflito entre superpotências, dando início à Terceira Guerra Mundial. A obra central prevê a expansão de um cais em Koror para receber navios estadunidenses.

No próximo ano, Palau deve abrigar equipes de construção das Forças Armadas dos EUA no exterior. O cais que será ampliado nasceu durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial, lembrança que amplia a apreensão de uma população marcada pelos combates entre tropas estadunidenses e japonesas.

Madelsar Ngiraingas, que ouviu das avós relatos sobre fugas durante a batalha no arquipélago, questionou o destino dos habitantes se houver um conflito. “Para onde eles iriam? A preocupação é muito real”, disse.

Com cerca de 17 mil habitantes e menos de 458 quilômetros quadrados de área habitável, Palau fica a aproximadamente 800 quilômetros a oeste do Mar da China Meridional. Documentos de licitação também preveem um depósito de reserva para crises dos fuzileiros navais dos EUA, a instalação de um radar e a ampliação de um aeródromo remoto para aeronaves de grande porte.

Obras dos Estados Unidos no Palau, em 5 de setembro de 2026. Foto: AFP

Petição cobra proteção e questiona presença dos EUA

Uma petição com 2 mil assinaturas chegou ao Congresso de Palau no mês passado. Os moradores pediram garantias dos Estados Unidos para a segurança da população caso a guerra alcance o país.

Palau recebe financiamento estadunidense por meio de um acordo de livre associação, que permite a seus cidadãos estudar e trabalhar nos EUA sem visto. Em contrapartida, Washington obtém acesso ao território do arquipélago.

O fundador do think tank Congress Point Institute, Ongerung Kambes Kesolei, afirmou que as obras representam a primeira atividade militar estadunidense de grande porte sob esse acordo. “Com a chegada das Forças Armadas americanas, agora somos um alvo. O papel de Palau na segunda cadeia de ilhas tornou-se mais proeminente”, declarou.

Em uma reunião comunitária realizada em agosto, autoridades estadunidenses apresentaram imagens de navios de cruzeiro ao falar sobre os benefícios do porto. Quando um morador perguntou onde ficaria o terminal de passageiros, ouviu que a Marinha dos EUA não precisava de um.

Dragagem ameaça corais e animais vulneráveis

Chefes tradicionais, cientistas e empresários do turismo também criticam o impacto ambiental da reconstrução do porto em Koror. Eles temem que a atividade afaste dugongos, espécie vulnerável semelhante ao peixe-boi, e prejudique as lagoas turquesas reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Uma avaliação ambiental apontou que a dragagem no porto vizinho de Malakal, prevista para começar neste ano, causará a perda de 4,26 hectares de coral. Tartarugas, peixes e dugongos ameaçados de extinção podem sofrer os efeitos da intervenção.

O presidente de Palau, Surangel Whipps, defendeu o projeto e afirmou que o antigo porto estava “à beira do colapso”. A Força-Tarefa Conjunta dos EUA na Micronésia declarou à AFP que a infraestrutura ampliará o transporte marítimo comercial e a capacidade para embarcações maiores, ao mesmo tempo em que melhorará a logística militar para a defesa regional.

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