
O presidente Lula (PT) deve faltar ao debate da Globo marcado para quinta (1º), último encontro entre candidatos antes do primeiro turno, segundo a Folha de S.Paulo. Aliados avaliam que o petista evitaria um ambiente em que se tornaria alvo dos demais concorrentes, adiando um embate direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para um eventual segundo turno.
A agenda de Lula para a data ainda estava em aberto, e ele considerou participar do programa. Entre seus aliados, porém, prevaleceu a avaliação de que o formato pode impor desgaste ao presidente, que teria tempo limitado para responder aos ataques dos adversários.
A Globo disse que deixará uma cadeira vazia em horário nobre caso algum candidato não compareça. Integrantes da campanha de Lula avaliam que a exposição da ausência seria menos prejudicial do que permanecer no debate recebendo ataques presenciais de todos os participantes.
O cálculo também leva em conta a dinâmica dos debates: candidatos costumam dirigir ataques a quem lidera as pesquisas para tentar atrair parte desse eleitorado. Sem Lula no estúdio, a expectativa de aliados é que Flávio Bolsonaro concentre as cobranças dos concorrentes.

PT defende confronto entre Lula e Flávio no segundo turno
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, indicou publicamente que Lula não deve participar do debate caso a estrutura mantenha vários candidatos e longos intervalos entre uma pergunta e outra. Ele disse que o presidente quer confrontar Flávio, mas em um modelo mais direto.
“Ele fazer uma pergunta e ficar vinte minutos, meia hora, esperando todo mundo falar para depois ele fazer outra pergunta… Se for esse modelo é evidente que o presidente Lula não irá ao debate e vai ficar aguardando o segundo turno”, declarou Edinho em entrevista ao canal TMC na segunda (28).
Flávio afirmou no domingo que pretende comparecer ao encontro promovido pela Globo e disse que gostaria de encontrar Lula. “Meu único adversário nessa campanha é o Lula. É com ele que eu quero debater na Globo”, declarou o senador, ao usar ataques contra o presidente.
A decisão também considera a oscilação positiva de Lula em pesquisas divulgadas na segunda-feira, pelos institutos Nexus e Quaest. Aliados lembram o desempenho do petista no debate da Band antes do primeiro turno de 2022 e avaliam que, com a liderança consolidada, um deslize no palco poderia custar mais do que a ausência.