Polícia Civil afasta cinco agentes por suspeita de regalias a Milton Leite em cadeia

Milton Leite em sessão da Câmara Municipal de São Paulo
Milton Leite em sessão da Câmara Municipal de São Paulo. Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo afastou um carcereiro, três delegados e um investigador de Mogi das Cruzes sob suspeita de favorecer o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na cadeia pública da cidade. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que os cinco servidores deixaram imediatamente suas funções. Com informações de Metrópoles.

A medida atingiu um carcereiro da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes e quatro policiais que atuavam na Seccional da Polícia Civil do município. A Corregedoria-Geral ouviu os servidores no sábado (17) e instaurou inquérito policial e procedimento correicional disciplinar.

A SSP afirmou que os afastamentos buscam preservar a investigação após os depoimentos dos agentes. “A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências”, disse a pasta.

carcereiro Milton Leite
Dinheiro foi encontrado na casa do carcereiro durante uma busca realizada na cadeia onde Leite está preso. Foto: Divulgação

Operação apura visitas e tratamento diferenciado na cadeia

O Ministério Público de São Paulo deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel na sexta-feira (16) para investigar possíveis regalias a presos da unidade, onde Milton Leite está custodiado. A apuração começou a partir de denúncia anônima sobre supostas visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários autorizados.

Na operação, investigadores apreenderam cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro apontado como suspeito de facilitar benefícios a Milton Leite. A Corregedoria também determinou correições na cadeia pública e no 1º Distrito Policial para verificar rotinas administrativas e operacionais.

Uma decisão judicial registrou movimentação considerada suspeita em 9 de outubro, sete dias antes da operação. O documento cita a presença de uma mulher com características semelhantes às da delegada seccional Margarette Barreto na unidade e a retirada de uma pessoa parecida com o ex-vereador da carceragem para uma área restrita.

A defesa de Milton Leite negou que ele tenha recebido qualquer privilégio na prisão. “Milton não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados”, afirmaram os advogados.

Milton Leite está preso desde 18 de setembro, e a Justiça paulista prorrogou sua prisão preventiva por mais 30 dias. Ele é investigado na Operação Vectura Corrupta por suspeita de participação em um esquema de infiltração do PCC no transporte público, com contratos ligados à empresa Transwolff; o ex-vereador nega as acusações e afirma ser inocente.

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