
Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender, na sabatina do Jornal Nacional nesta sexta-feira (16), que o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, foi um patrocínio privado. Um documento enviado à Câmara dos Deputados pelo liquidante do Banco Master, porém, informa que não foram encontrados registros contábeis ou contratuais de financiamento da produção nos acervos examinados. Com informações de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Na entrevista, o candidato tratou os repasses negociados com Daniel Vorcaro como uma operação sem relação com seu mandato. “Simples assim, uma relação privada”, afirmou. Flávio também disse que a produtora havia prestado contas e que o filme fora concluído com dinheiro do banqueiro e de outros investidores.
O liquidante Eduardo Bianchini apresentou uma resposta diferente sobre a documentação disponível no banco. Em ofício encaminhado ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), informou que as buscas não localizaram documentos que comprovassem financiamento, patrocínio ou aporte para o filme, diretamente pelas instituições em liquidação ou por terceiros, dentro dos limites do material consultado.
A resposta também abrange o Havengate Development Fund LP, envolvido nas transferências ao exterior. Segundo o documento citado pela coluna, não foram encontrados registros de operações das instituições representadas com o fundo que pudessem estar relacionadas à produção. A ausência desses documentos não esclarece, por si só, a origem dos recursos nem exclui pagamentos por outras estruturas.
📺 🗣️ Na sabatina do Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro diz que o patrocínio de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, é totalmente “lícito” e cita o patrocínio do dono do Banco Master ao programa de Luciano Huck, na Globo. https://t.co/avdjQaDYIp
— République (@republiqueBRA) October 17, 2026
Durante a sabatina, Renata Lo Prete confrontou Flávio com a diferença entre o custo de R$ 75 milhões apontado por uma perícia da própria produtora e os R$ 134 milhões solicitados a Vorcaro. “Por que essa diferença? Quase o dobro”, perguntou. O senador respondeu que havia um contrato não cumprido e reiterou a natureza privada do negócio.
Lo Prete também questionou a responsabilidade do candidato em esclarecer o destino do dinheiro. “O seu pai não é qualquer pai”, afirmou, lembrando que Jair Bolsonaro é ex-presidente e que Flávio disputa a Presidência.
Segundo a Folha, a Polícia Federal identificou que as remessas foram realizadas pela Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior. Em delação, o empresário afirmou que a operação lhe foi apresentada como investimento imobiliário nos Estados Unidos e que desconhecia a destinação cinematográfica dos valores.
Procurada pela coluna, a assessoria de Flávio afirmou que ele buscou o apoio financeiro de Vorcaro, mas não participou da execução dos pagamentos nem foi informado sobre como foram realizados. O candidato não apresentou publicamente, segundo a reportagem, um contrato que formalizasse o patrocínio.