O desafio enorme de Lula para vencer a eleição no 2º turno, por Lauro Mattei
O primeiro turno das eleições presidenciais realizado no dia 04.10.2026 apresentou um resultado bastante atípico para um governante de plantão (Presidente Lula) que concorre à reeleição.
Em função disso, a análise neste artigo procurará organizar um quadro com possíveis cenários que realçam o grande desafio que o atual presidente Lula terá pela frente se quiser vencer o pleito no segundo turno, cuja eleição está marcada para o dia 25.10.2026, ou seja, daqui a exatos 11 dias.
O quadro 1 apresenta o resultado final da votação total de todos os candidatos da direita no primeiro turno, separadamente da votação recebida pelo presidente Lula. Considerando-se que todos os candidatos da direita que não passaram para segundo turno declararam apoio à Flávio Bolsonaro, exceto Renan Santos, e considerando-se também que o próprio Flávio irá repetir no segundo turno a votação que obteve no primeiro turno e que todos os votos dos demais candidatos da direita migrarão para Flávio, o mesmo poderá atingir o montante de 65.160.595 votos.
Já o Presidente Lula, que no primeiro turno obteve 53.879.538, precisaria que todos esses votantes repetissem seu voto nele, além de necessitar de mais 11.282.057 votos para superar a votação de Flávio Bolsonaro, caso ele obtenha a votação anteriormente estimada.
Quadro 1: Eleições Presidenciais no Brasil em 2026
| Candidatos | Votação no 1º Turno | Previsão no 2º Turno |
| Flávio | 56.104.530 | idem |
| Cury | 3.448.569 | idem |
| Caiado | 2.605.148 | idem |
| Renan | 2.675.887 | idem |
| Zema | 326.480 | idem |
| Sub-Total | 65.160.595 | 65.160.595 |
| Lula | 53.879.538 | + 11.282.057 |
Fonte dados: TSE
Parte desse desafio decorre do problema da baixa votação obtida por Lula em três regiões do país (Sul, Sudeste e Centro-Oeste). No caso dos três estados da região Sul do país (Quadro 2), verificou-se um baixo desempenho especialmente nos estados de Santa Catarina e do Paraná, considerando-se que esse último estado figura dentre aqueles com os maiores colégios eleitorais do país.
Considerando-se que no segundo turno todos os demais candidatos da direita, exceto Renan Santos, estão coligados com Flávio Bolsonaro, estima-se que o mesmo receba igual votação do primeiro turno e que também receba a mesma votação obtida por todos os demais candidatos da direita no primeiro turno. Para tanto, Lula precisaria ampliar sua votação nessa região em pelo menos 1.5 milhões de votos para que essa diferença regional não impacte de forma tão significativa no cenário nacional.
Quadro 2: Eleições Presidenciais no Brasil em 2026 – Região Sul
| Estados | Votação no 1º Turno | Previsão no 2º Turno | |
| Lula | Direita | Direita | |
| Rio Grande do Sul | 2.294.759 | 4.285.346 | 4.285.346 |
| Santa Catarina | 1.127.168 | 3.346.999 | 3.346.999 |
| Paraná | 2.054.598 | 4.499.168 | 4.499.168 |
| Totais | 5.476.525 | 12.131.131 | 12.131.131 |
| PS: Neste caso Lula precisaria reduzir essa diferença (6.654.988) em pelo menos 1.5 milhões no 2º turno | |||
Fonte dados: TSE
No caso dos quatro estados da região Sudeste do país (Quadro 3), verificou-se um baixo desempenho de Lula, especialmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Considerando-se que ambos figuram dentre as unidades da federação com os maiores colégios eleitorais do país, Lula precisa virar voto nesses dois estados de forma bem expressiva.
Considerando-se também que no segundo turno todos os demais candidatos da direita, exceto Renan Santos, estão coligados com Flávio Bolsonaro, é bastante provável que o mesmo receba igual votação do primeiro turno e que também receba a mesma votação obtida por todos os demais candidatos da direita no primeiro turno. Para tanto, Lula precisaria ampliar sua votação na região Sudeste em pelo menos 4 milhões de votos para que essa diferença regional não impacte de forma tão significativa no cenário nacional.
Quadro 3: Eleições Presidenciais no Brasil em 2026-Região Sudeste
| Estados | Votação no 1º Turno | Previsão no 2º Turno | |
| Lula | Direita | Direita | |
| São Paulo | 9.505.413 | 15.292.907 | 15.292.907 |
| Rio de Janeiro | 3.693.021 | 5.647.835 | 5.647.835 |
| Minas gerais | 5.188.936 | 6.763.324 | 6.763.324 |
| Espirito Santo | 850.028 | 1.397.231 | 1.397.231 |
| Totais | 19.237.398 | 29.071594 | 29.071594 |
| PS: Neste caso Lula precisaria reduzir essa diferença (9.834.196) em pelo menos 4 milhões no 2º turno | |||
Fonte dados: TSE
No caso dos estados da região Centro-Oeste do país (Quadro 4), verificou-se um baixo desempenho de Lula especialmente nos estados de Goiás e Mato Grosso, considerando-se que ambos figuram dentre as unidades da federação com os maiores do setor do agronegócio que, embora amplamente apoiado pelas políticas do Governo Lula, é adversário político tradicional do atual presidente.
Considerando-se que no segundo turno todos os demais candidatos da direita, exceto Renan Santos, estão coligados com Flávio Bolsonaro, é bastante provável que o mesmo receba igual votação do primeiro turno e que também receba a mesma votação obtida por todos os demais candidatos da direita no primeiro turno. Para tanto, Lula precisaria ampliar sua votação na região Sudeste em pelo menos 1 milhão de votos para que essa diferença regional não impacte de forma tão significativa no cenário nacional.
Quadro 4: Eleições Presidenciais no Brasil em 2026-Região Centro-Oeste
| Estados | Votação no 1º Turno | Previsão no 2º Turno | |
| Lula | Direita | Direita | |
| Mato Grosso do Sul | 516.855 | 970.429 | 970.429 |
| Mato Grosso | 581.681 | 1.407.273 | 1.407.273 |
| Goiás | 1.188.880 | 2.634.115 | 2.634.115 |
| Distrito Federal | 675.627 | 1.092.300 | 1.092.300 |
| Totais | 2.963,043 | 6.104.117 | 6.104.117 |
| PS: Neste caso Lula precisaria reduzir essa diferença (2.352.926) em pelo menos 1 milhão no 2º turno | |||
Fonte dados: TSE
As informações projetadas para as três regiões do país (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) onde o candidato Flávio Bolsonaro é muito mais competitivo, revelam o quanto a candidatura de Lula precisará avançar nas regiões Nordeste e Norte para conseguir compensar os resultados negativos obtidos no Centro-Sul do país. Resta saber até onde irá o fôlego da candidatura de Lula para atingir essa meta.
O conjunto dessas informações sugere que a campanha de reeleição do Presidente Lula precisa investir mais fortemente nos principais estados das três regiões mencionadas com o intuito de procurar reduzir minimamente o grande diferencial que ocorreu no primeiro turno em tais espaços geográficos regionais.
Florianópolis (SC), 14.10.2026
Lauro Mattei – Professor Titular de Economia da UFSC
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “