O custo elevado do crédito continua sendo um dos principais entraves à atividade industrial brasileira: segundo a Sondagem Especial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 75,9% das empresas que relataram dificuldades para contratar ou renovar linhas de crédito de curto e médio prazo apontaram os juros elevados como obstáculo. Nas operações de longo prazo, o percentual foi de 68,7%.
Os dados mostram que, mesmo com o início dos cortes na taxa básica de juros, as condições de financiamento continuam limitando o acesso das empresas a recursos para manter suas operações e realizar investimentos.
Entre fevereiro e julho de 2026, 49,9% das empresas consultadas não procuraram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo. No financiamento de longo prazo, a proporção chegou a 54%.
Entre as empresas que efetivamente buscaram recursos, 24,7% não conseguiram contratar ou renovar linhas de curto e médio prazo. No longo prazo, a frustração foi ainda maior: 37,2% das empresas que procuraram financiamento não tiveram sucesso.
Os resultados indicam dificuldades tanto para financiar as despesas operacionais quanto para viabilizar projetos de expansão e modernização da indústria.
O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026. A pesquisa considera como crédito de curto e médio prazo as operações com duração de até cinco anos e, como longo prazo, aquelas superiores a esse período.
Pequenas empresas enfrentam mais dificuldades
O porte das empresas influencia diretamente as condições de acesso ao financiamento. Entre as pequenas indústrias que buscaram crédito, 32% não conseguiram contratar ou renovar operações de curto e médio prazo. Nas médias empresas, o índice foi de 28,4%, enquanto nas grandes chegou a 20,3%.
A diferença é ainda maior no crédito de longo prazo. Entre as pequenas empresas que procuraram esse tipo de financiamento, 48,2% não conseguiram contratar ou renovar as operações. Nas médias, o percentual foi de 48,1%, ante 29,9% nas grandes empresas.
O levantamento também aponta que as empresas menores enfrentam maior dificuldade para obter o volume de recursos necessário. Entre as pequenas indústrias que contrataram ou renovaram crédito, 33,3% receberam valores inferiores ou muito inferiores às suas necessidades nas operações de curto e médio prazo. No longo prazo, a proporção foi de 34,4%.
Considerando todas as empresas que contrataram ou renovaram crédito, a insuficiência dos valores aprovados atingiu 24,9% nas operações de curto e médio prazo e 26,4% nas de longo prazo.
Capital de giro concentra demanda por crédito
O principal destino dos recursos é o capital de giro, utilizado para financiar despesas como salários, fornecedores e compra de matérias-primas. Essa finalidade foi citada por 59,8% das empresas que contrataram, renovaram ou buscaram crédito de curto e médio prazo.
Mesmo nas operações de longo prazo, geralmente associadas à aquisição de máquinas e equipamentos e à expansão da capacidade produtiva, o capital de giro apareceu em primeiro lugar, com 28,7% das menções. O investimento em máquinas e equipamentos ficou em segundo lugar, com 23,6%.
Para a CNI, a permanência do capital de giro como principal finalidade também nas operações de longo prazo pode sinalizar pressões sobre o financiamento das despesas operacionais das empresas.