“Eu estou propondo não gastar. Não cortar dinheiro dos pobres. Alguém está anunciando, como meu adversário, que não tenha aumento do salário mínimo acima da inflação. No meu caso, tem [reajuste acima da inflação]”, afirma o presidente Lula (PT).
Essa importante garantia de Lula, que concorre à reeleição, durante sabatina na TV Globo, contrasta frontalmente com as propostas de seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que promete um “tesouraço” no Brasil inspirado na falida política econômica de Javier Milei na Argentina.
Nos seus discursos, Lula tem lembrado que a política de valorização do salário mínimo foi retomada na sua gestão, oferecendo ganhos reais para os trabalhadores e para os aposentados. Agora, essa conquista está ameaçada com a eventual eleição de Flávio, que envia sinais diferentes a depender do público com quem conversa.
Nas suas propagandas, Flávio Bolsonaro diz que não irá mexer nos ganhos dos trabalhadores e aposentados, porém para líderes do mercado financeiro afirma que irá realizar cortes de até R$ 250 bilhões na economia. O que muitos analistas têm observado é uma espécie de jogo duplo, em que o senador afirma o que convém para agradar a quem conversa.
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Porém, a desconfiança já é crescente, pois Flávio brada aos quatro ventos que fará um “tesouraço”, mas não explica onde será. Assim, com esse discurso demagógico, todos sabem que essa bomba armada pela família Bolsonaro estourará, mais uma vez, no colo da população e não dos empresários, como ocorreu no governo de Jair.
Por mais que tentem voltar atrás no que dizem, a equipe econômica de Flávio já estudou propostas para alterar a regra de financiamento de saúde e educação, assim como impedir que o ganho real do salário mínimo seja automaticamente repassado aos benefícios do INSS e ao BPC. Outra situação que já ligou o alerta da sociedade foram falas da coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, com críticas a mecanismos de combate à sonegação, prevendo a suspensão da reforma tributária.
Para completar, a população já se ligou que não é possível confiar na palavra do candidato do PL, pois seu partido foi contrário à aprovação do fim da escala 6×1, mas votou a favor do projeto com medo da repercussão negativa. Flávio nem mesmo compareceu ao Senado, faltou e votou à distância.
Mas isso não foi tudo. Como forma de enfraquecer essa conquista dos trabalhadores, a bancada do PL no Congresso já articula um projeto que prevê o pagamento por horas trabalhadas, enfraquecendo a CLT e a recente conquista pelo fim da escala 6×1.
Ou seja, a desconfiança sobre o que a campanha de Flávio Bolsonaro diz é total. Eles tanto podem prometer algo e descumprir depois, como podem aprovar algo para ficar bem na foto, mas nos dias seguintes tentarem desmontar uma conquista da população que eles mesmos votaram a favor.