
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmam que a ministra Estela Aranha não teria chance de ser reconduzida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se ele vencer a eleição, segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo. A magistrada ocupa uma das duas cadeiras destinadas à classe dos juristas na Corte.
“Não tem nenhuma chance de Estela ser reconduzida se o Flávio ganhar”, disse um aliado do senador. Estela tem mandato de dois anos, iniciado em julho de 2025 por indicação do presidente Lula, e poderá concorrer a uma recondução por mais dois anos.
O entorno de Flávio associa a ministra ao presidente Lula e reclama de sua proximidade com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de integrar o TSE, ela foi secretária de Direitos Digitais no Ministério da Justiça durante a gestão de Dino.
A eventual troca faria parte da intenção de aliados do candidato de alterar a correlação de forças na Justiça Eleitoral. Hoje, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, presidente e vice-presidente do TSE, são vistos como os ministros mais próximos do bolsonarismo no tribunal.

Decisões de Estela Aranha provocaram reação da campanha de Flávio
Estela Aranha proferiu decisões que irritaram a campanha de Flávio Bolsonaro durante a disputa. Uma delas suspendeu uma regra prevista para o debate presidencial da TV Globo no primeiro turno, que mostraria o púlpito vazio e dirigiria perguntas ao candidato que faltasse ao programa.
A coligação de Lula pediu a suspensão da regra depois que o presidente avisou que não participaria do debate. A ministra acolheu o pedido, e a emissora cancelou o evento. Integrantes bolsonaristas do TSE criticaram a decisão.
Em outro caso, Estela proibiu o uso da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em santinhos de candidatos no país. Ela entendeu que a exibição de Bolsonaro em posição de destaque, ao lado de número e nome de candidato, poderia burlar decisão do ministro Alexandre de Moraes que restringiu manifestações político-eleitorais do ex-presidente, inclusive por terceiros.
O plenário do TSE derrubou essa determinação por 5 votos a 2 no mês passado. A composição do tribunal reúne três ministros oriundos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça e dois juristas escolhidos pelo presidente da República a partir de listas tríplices aprovadas pelo Supremo.