Roger Waters detona líder do Metallica após ataque a artistas que falam de política: “Idiota completo”

Roger Waters e James Hetfield. Foto: Reprodução

O músico Roger Waters, ex-integrante do Pink Floyd e conhecido por seu posicionamento em defesa da Palestina, disparou duras críticas contra James Hetfield, vocalista e guitarrista do Metallica, depois que o líder da banda de heavy metal atacou artistas que utilizam seus shows para abordar questões políticas. Waters chamou Hetfield de “idiota completo”, questionou sua inteligência e afirmou que ele sequer merece ser considerado um músico.

A polêmica começou em 10 de outubro, durante uma apresentação do Metallica na Sphere, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Ao agradecer aos fãs que viajaram para assistir ao espetáculo, Hetfield afirmou que a banda não estava interessada em influenciar politicamente o público e que seus shows deveriam servir como uma forma de escapar dos problemas do mundo.

“O Metallica não está aqui, como alguns outros artistas, para influenciar vocês com suas merdas, certo?”, declarou o vocalista. “Nada de besteira. Estamos aqui para esquecer toda a merda que acontece lá fora, certo? A agenda do Metallica é amor, energia e música pesada, baby!”

Embora não tenha citado nomes, a declaração foi interpretada por parte dos fãs como uma crítica a músicos que se manifestam publicamente sobre questões políticas e sociais, especialmente em relação à guerra em Gaza e às políticas de imigração dos Estados Unidos.

Entre os alvos mencionados nas redes sociais estão o rapper Macklemore, defensor da causa palestina, a cantora Hayley Williams, que tem criticado o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), e o guitarrista Tom Morello, conhecido por seu ativismo político.

Roger Waters chama Hetfield de “idiota” e questiona seu talento

A resposta de Roger Waters veio durante uma participação no podcast da jornalista Katie Halper. Ao ser questionado sobre as declarações do vocalista do Metallica, o ex-Pink Floyd não economizou nas críticas.

“Podemos parar de falar desse idiota? Estou tão entediado com ele. Ele só está mostrando que é um completo idiota. Tem um QI de aproximadamente três e, sinceramente, não sei por que estamos falando dele, porque ele não é ninguém”, afirmou Waters.

O músico também atacou a qualidade artística do Metallica, uma das bandas mais populares da história do heavy metal.

“Ele pode ter algumas centenas de milhões de dólares ou seja lá quanto for, mas é um idiota e não é músico. Eu os ouvi tocando instrumentos acústicos e eles não conseguiam. Foi horrível”, disparou.

Waters prosseguiu afirmando que não tem qualquer interesse pelo trabalho do grupo e criticou a postura de Hetfield diante de questões humanas e sociais.

“Pessoas como as do Metallica não me interessam nem um pouco. Obviamente, eu gostaria que ele tivesse crescido com uma mãe, um pai, um amigo ou alguém da família que o tivesse chamado de lado quando era pequeno”, declarou.

“É uma pena que esse idiota não tenha tido alguém por perto para explicar que ser gentil é muito mais importante do que toda aquela música alta, ficar pulando e tudo mais”, acrescentou.

Metallica já ironizou uso de suas músicas para torturar prisioneiros

Durante a entrevista, Katie Halper também relembrou uma declaração controversa de Hetfield sobre relatos de que músicas do Metallica teriam sido utilizadas por militares americanos para torturar prisioneiros no Iraque.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, em 2003, o vocalista reagiu ao assunto com uma ironia que provocou controvérsia.

“Estamos castigando nossos pais, nossas esposas e nossos entes queridos com essa música desde sempre. Por que os iraquianos deveriam ser diferentes?”, afirmou na ocasião.

A declaração voltou a ganhar destaque diante da defesa feita pelo músico de que apresentações musicais deveriam permanecer distantes das discussões políticas.

O Metallica mantém historicamente uma postura de discrição sobre posicionamentos partidários. Em 2017, Hetfield afirmou que preferia não revelar suas opiniões sobre Donald Trump, argumentando que a política divide as pessoas.

Em 2020, a banda voltou a defender a música como instrumento de união em um período marcado por conflitos sociais.

Roger Waters mantém defesa da Palestina e critica silêncio de artistas

Ao contrário de Hetfield, Roger Waters transformou o posicionamento político em uma das características centrais de sua trajetória artística, tanto durante sua passagem pelo Pink Floyd quanto em sua carreira solo.

Defensor histórico dos direitos dos palestinos, o músico tem criticado governos ocidentais e artistas que, em sua avaliação, deixam de se manifestar diante da situação na Faixa de Gaza.

Em 2024, Waters pediu que seus seguidores não votassem em Kamala Harris nem em Donald Trump nas eleições presidenciais americanas, em razão das posições de ambos sobre Israel e Palestina.

O ex-Pink Floyd também entrou em confronto público com Thom Yorke e Jonny Greenwood, integrantes do Radiohead, por suas posições relacionadas a Israel.

“Não há argumento possível. Não é um conflito. É um genocídio, Thom e Jonny!”, declarou Waters, ao defender sua interpretação dos acontecimentos em Gaza.

Mais recentemente, ele também criticou Ed Sheeran depois que Macklemore foi retirado da programação de sua turnê Loop, após o rapper fazer um discurso em defesa da Palestina.

“Existem dois tipos de pessoas neste mundo. Há aquelas que fazem a coisa certa, e o rapper Macklemore é uma delas. E há pessoas, muitas delas, infelizmente, pequenos idiotas como você, que fazem a coisa errada”, afirmou Waters em um vídeo dirigido a Sheeran.

O embate ocorre enquanto o Metallica mantém uma intensa agenda de apresentações, impulsionada pela turnê M72, lançada para promover o álbum 72 Seasons.

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