Vorcaro usou contrato milionário com Metrópoles para influenciar cobertura sobre venda do Master ao BRB, revelam mensagens

Banqueiro sugeriu perguntas a Roberto Campos Neto, alterou reportagens sobre diretor do Banco Central e discutiu com executiva do portal o momento de publicar notícias; documentos mostram 11 matérias modificadas após suas intervenções

Da Redação

Chamada: Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro revelam que o controlador do Banco Master participou diretamente da elaboração de reportagens do Metrópoles durante as negociações para vender parte da instituição ao Banco de Brasília. O empresário sugeriu perguntas para uma entrevista com Roberto Campos Neto, pediu mudanças em textos sobre o diretor Renato Gomes e discutiu a divulgação de notícias que poderiam influenciar o debate sobre a operação. O banco mantinha um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o portal.

O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, manteve uma articulação direta com a direção do portal Metrópoles para influenciar a cobertura jornalística relacionada à tentativa de venda de parte de sua instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro, reveladas nesta quinta-feira, 15 de outubro, pelo UOL, mostram que Vorcaro sugeriu perguntas para uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, examinou previamente reportagens sobre a negociação e solicitou mudanças em textos relacionados a Renato Gomes, diretor da autoridade monetária responsável pela análise técnica da operação. A documentação revela ainda que o Banco Master havia firmado um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o veículo, estabelecendo uma relação comercial de grande valor durante o período em que seu controlador participava de decisões sobre o conteúdo e o calendário das publicações.

A investigação jornalística, assinada por Renata Agostini e Tiago Dantas, identificou pelo menos 14 reportagens encaminhadas antecipadamente a Vorcaro pela direção do Metrópoles. Em 11 delas, foram realizadas alterações depois de solicitações do empresário. O levantamento também encontrou dois casos de matérias publicadas a pedido do então controlador do Master, indicando uma relação que ultrapassava a prestação de informações por uma fonte jornalística.

A interlocutora central de Vorcaro era Lilian Tahan, diretora-executiva do Metrópoles, que mantinha contato frequente com o banqueiro e lhe encaminhava versões de reportagens antes da publicação. As mensagens mostram que o empresário avaliava títulos, sugeria alterações, pedia a retirada de informações desfavoráveis ao banco e participava de discussões sobre o momento mais conveniente para divulgar determinados conteúdos.

Os episódios mais sensíveis ocorreram entre agosto e setembro de 2025, quando a aquisição de parte do Banco Master pelo BRB aguardava autorização do Banco Central. A negociação havia recebido aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e avançado no plano político e legislativo do Distrito Federal, mas dependia da análise prudencial da autoridade monetária, encarregada de avaliar riscos e condições para a operação.

Nesse cenário, a imagem pública dos responsáveis pela decisão regulatória passou a ter importância para os interesses do banco. Vorcaro procurou construir, por meio das publicações discutidas com o Metrópoles, uma interpretação segundo a qual a resistência à aquisição poderia decorrer de pressões exercidas por grandes instituições financeiras interessadas em impedir a expansão do Master.

A documentação não demonstra que a estratégia tenha alterado a decisão do Banco Central. Em 3 de setembro de 2025, a autarquia rejeitou por unanimidade a aquisição, encerrando a tentativa de conclusão do negócio nas condições apresentadas.

O material, entretanto, permite reconstruir como o banqueiro tentou utilizar sua relação com um veículo de comunicação para interferir no ambiente público em que a decisão seria tomada.

Campos Neto foi utilizado como referência de autoridade na cobertura

Em 13 de agosto de 2025, Daniel Vorcaro encaminhou a Lilian Tahan três perguntas que pretendia ver apresentadas ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que havia comandado a instituição entre 2019 e dezembro de 2024.

As questões tratavam da influência dos grandes bancos sobre decisões regulatórias, dos obstáculos à ampliação da concorrência no sistema financeiro e da autonomia do Banco Central. Uma das perguntas abordava diretamente a possível participação de instituições financeiras concorrentes nas resistências à aquisição de parte do Master pelo BRB.

O conteúdo estava relacionado ao argumento que o banqueiro procurava difundir naquele período: a hipótese de que grandes bancos estariam atuando para dificultar a operação.

Na noite do mesmo dia, Lilian encaminhou a Vorcaro uma versão da entrevista com Campos Neto. O empresário avaliou positivamente o texto, mas recomendou diminuir o destaque dado a Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, que participava da análise da transação.

Vorcaro considerava mais conveniente concentrar aquela publicação nas declarações de Campos Neto e reservar as informações sobre Gomes para uma reportagem posterior, dedicada especificamente ao diretor.

A sugestão foi aceita pela executiva, segundo os registros divulgados.

A interferência também alcançou o calendário editorial. Inicialmente prevista para publicação na manhã seguinte, a entrevista foi adiada depois de conversas entre Vorcaro e Lilian. Em 14 de agosto, o banqueiro voltou a pedir que a divulgação fosse postergada, afirmando que havia pensado em uma utilização diferente para o material.

A reportagem permaneceu sem publicação por vários dias.

Em 19 de agosto, Vorcaro procurou novamente a diretora do portal para discutir uma maneira de reagir a notícias negativas que poderiam circular sobre o Banco Master. O empresário afirmou que precisava de um recurso capaz de enfrentar a repercussão das informações desfavoráveis à instituição.

Foi nesse momento que Lilian sugeriu utilizar a entrevista com Campos Neto, apresentando-a como um instrumento conveniente para a estratégia de comunicação.

A publicação acabou ocorrendo em 22 de agosto de 2025, às 18h51, na coluna Dinheiro e Negócios, em reportagem assinada pela jornalista Gabriella Furquim.

Ao comentar o processo de análise da operação Master–BRB, Campos Neto destacou que o tempo é um fator importante no sistema bancário, especialmente quando uma instituição enfrenta dificuldades. O ex-presidente do Banco Central ressalvou, entretanto, que não possuía informações suficientes para afirmar que aquela fosse a situação específica do Master.

Campos Neto também manifestou confiança na capacidade técnica da autoridade monetária e afirmou que sua decisão deveria ser respeitada, independentemente do resultado.

Essa ressalva é decisiva para compreender a controvérsia. Embora Vorcaro e Lilian tenham discutido a entrevista como instrumento de comunicação favorável aos interesses do banco, as declarações atribuídas a Campos Neto não demonstram adesão à estratégia do empresário.

Não há, nas mensagens publicadas, comprovação de que o ex-presidente do Banco Central soubesse que suas respostas estavam sendo submetidas à avaliação prévia de Vorcaro ou que participasse das decisões sobre o momento de divulgação.

Campos Neto já não ocupava a presidência da autarquia quando os diálogos ocorreram. Desde julho de 2025, trabalhava no Nubank, como vice-presidente executivo e chefe global de políticas públicas, além de integrar o conselho de administração da controladora da instituição financeira.

Seu nome, entretanto, continuava associado à autoridade técnica de quem havia dirigido o Banco Central durante seis anos. Essa condição ajudava a conferir relevância pública à entrevista, especialmente porque o processo de aquisição do Master pelo BRB ainda aguardava uma decisão regulatória.

A estratégia documentada nas mensagens consistia em utilizar essa autoridade pública como referência no debate, sem que esteja demonstrado envolvimento consciente de Campos Neto na articulação conduzida pelo banqueiro.

Diretor responsável pela decisão tornou-se alvo de reportagens alteradas pelo banqueiro

A intervenção de Vorcaro na cobertura do Metrópoles ganhou contornos mais explícitos nas matérias dedicadas a Renato Gomes.

O diretor do Banco Central exercia uma função central no exame da aquisição do Master pelo BRB. Sua área era responsável pela avaliação de aspectos relacionados à organização do sistema financeiro e à resolução de instituições, atribuições relevantes para o julgamento da viabilidade e dos riscos da transação.

Em 1º de setembro de 2025, dois dias antes da rejeição da operação, Lilian Tahan encaminhou a Vorcaro uma reportagem dedicada ao perfil de Gomes. O texto apresentava o dirigente e discutia sua atuação no processo de avaliação do negócio.

O banqueiro solicitou mudanças.

Uma delas foi a retirada de referências à possibilidade de falência do Banco Master. Vorcaro também sugeriu incluir a informação de que haveria uma divisão interna no Banco Central e que Gomes se posicionava contra a aprovação da aquisição.

Outra alteração dizia respeito ao futuro profissional do diretor. A versão inicial mencionava o BTG Pactual como possível destino de Gomes depois de sua passagem pela autarquia. Vorcaro recomendou substituir a referência específica por uma formulação mais genérica, associando o dirigente a grandes instituições financeiras que supostamente se opunham à transação.

A modificação contribuía para apresentar o diretor como alguém potencialmente próximo de bancos concorrentes do Master, sem identificar uma proposta profissional concreta ou demonstrar que tal vínculo estivesse em negociação.

As mensagens indicam que Lilian aceitou as sugestões. Segundo o levantamento do UOL, a reportagem publicada incorporou as mudanças solicitadas.

A relevância desse episódio não depende apenas da retirada de uma informação ou da substituição de uma expressão. O diretor do Banco Central estava participando de uma decisão que poderia determinar o futuro econômico do Master. Ao interferir na apresentação pública de sua atuação, o controlador da instituição interessada procurava influenciar a maneira como o responsável pela análise regulatória seria percebido.

As especulações sobre eventuais vínculos profissionais de Gomes com grandes bancos, entretanto, não comprovam que o dirigente tenha atuado em benefício dessas instituições. Também não demonstram a existência de proposta de emprego ou conflito de interesses.

A publicação de suspeitas dessa natureza exige verificação independente, sobretudo quando a fonte interessada possui relação econômica direta com o resultado da decisão examinada.

Em 2 de setembro, Vorcaro voltou a discutir com a direção do Metrópoles uma reportagem relacionada a um projeto legislativo que permitiria ao Congresso Nacional destituir integrantes da diretoria do Banco Central.

O banqueiro sugeriu que a manchete associasse diretamente a proposta a Renato Gomes. A executiva considerou a abordagem muito ostensiva, mas avaliou que poderia ser utilizada se houvesse fundamentos para estabelecer a relação entre o projeto e a atuação do diretor.

A sequência de mensagens revela uma preocupação recorrente do empresário com a imagem pública de Gomes e com a possibilidade de apresentar resistências à operação Master–BRB como resultado de interesses particulares ou divergências internas da autoridade monetária.

A disputa jornalística ocorria paralelamente à análise técnica da aquisição e às articulações políticas destinadas a viabilizá-la.

Contrato de R$ 20 milhões acompanhou relação entre banqueiro e direção do portal

A proximidade entre Vorcaro e o Metrópoles começou a ser construída em maio de 2024, quando o consultor Guilherme Barros promoveu um encontro entre o empresário e Lilian Tahan.

O portal pertence ao ex-senador Luiz Estevão, que foi condenado por irregularidades relacionadas às obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

Depois do encontro, o Banco Master passou a realizar pagamentos ao veículo. Em junho de 2024, a instituição transferiu R$ 1 milhão. No mês seguinte, foram acertados outros R$ 900 mil para iniciativas apresentadas como projetos de educação financeira envolvendo empresas do grupo, incluindo a seguradora Kovr e o banco digital Will.

A relação comercial foi ampliada no segundo semestre.

Em novembro de 2024, a direção do Metrópoles apresentou uma nova proposta publicitária. O valor negociado chegou a R$ 20 milhões, quantia que provocou questionamentos internos sobre seu custo.

Mensagens entre Vorcaro e a diretora de marketing do Master, Ana Matos, mostram que o banqueiro atribuía importância estratégica à contratação. Mesmo diante da avaliação de que o investimento era elevado, ele autorizou o acordo.

Os pagamentos foram realizados em 2025, em parcelas de R$ 5 milhões, segundo os registros examinados pelo UOL.

O valor comercial, isoladamente, não comprova compra de cobertura jornalística ou qualquer infração. Empresas privadas podem contratar publicidade, patrocínios e projetos de comunicação em veículos de imprensa.

A questão surge da combinação entre o investimento milionário e os documentos que mostram a participação do anunciante na definição de conteúdos editoriais.

A relação descrita nas mensagens ultrapassa situações em que uma fonte é procurada para confirmar dados ou apresentar sua versão dos fatos. Vorcaro não apenas respondia a perguntas: ele recebia reportagens antes da publicação, recomendava alterações, sugeria abordagens e participava de discussões sobre o momento em que determinados textos deveriam circular.

A diferença é fundamental para a análise da independência jornalística.

O direito de uma pessoa ou empresa apresentar sua versão sobre fatos que a envolvem constitui uma garantia importante do trabalho de apuração. Isso não significa que a fonte deva controlar a redação, escolher quais informações serão mantidas ou determinar o calendário de publicação de reportagens relacionadas a seus interesses.

Quando essas decisões são discutidas diretamente com um anunciante de grande porte, surge uma questão de transparência e de preservação da autonomia editorial.

A relação entre o Metrópoles e o Banco Master revela, nesse sentido, um problema que ultrapassa os personagens envolvidos: a influência potencial de interesses econômicos sobre a produção de informações destinadas ao público.

Direção do Metrópoles nega vínculo entre publicidade e decisões editoriais

Procurada pelo UOL, Lilian Tahan afirmou que o envio antecipado de reportagens a personagens citados nos textos faz parte de seus procedimentos de verificação jornalística.

A executiva argumentou que costuma confirmar com fontes empresariais, políticas e do Judiciário se as informações apresentadas correspondem ao contexto das entrevistas e declarações.

Também negou que o contrato publicitário do Banco Master tivesse determinado o conteúdo da cobertura realizada pelo portal.

Como argumento, destacou a publicação de reportagens críticas sobre empresas relacionadas a Vorcaro, incluindo o próprio Banco Master, a Ambipar, a Fictor e a Oncoclínicas.

A existência dessas publicações constitui um elemento relevante para avaliar a alegação de favorecimento editorial sistemático. Entretanto, não elimina a necessidade de examinar as intervenções específicas documentadas nas mensagens divulgadas.

A verificação de informações com fontes é parte legítima da atividade jornalística. A aceitação de sugestões sobre o enquadramento de matérias, a retirada de conteúdos negativos e a utilização estratégica do calendário de publicação apresentam características diferentes, especialmente quando envolvem uma fonte diretamente interessada no resultado de uma operação financeira.

Sobre as reportagens relacionadas a Renato Gomes, Lilian sustentou que o diretor era uma figura importante na análise da aquisição do Master pelo BRB e que sua atuação possuía interesse jornalístico para os leitores do Distrito Federal.

A justificativa explica a relevância pública do personagem, mas não resolve, por si só, as questões sobre a participação do controlador do banco na edição dos textos dedicados ao dirigente.

A direção do Metrópoles também contestou a interpretação de que tivesse atuado de maneira coordenada com os interesses de Vorcaro durante todo o processo. A executiva lembrou que o proprietário do portal, Luiz Estevão, se posicionava contra a operação Master–BRB e havia apresentado informações críticas sobre sua viabilidade.

O conjunto dessas manifestações demonstra que a relação entre o banco e o veículo não pode ser resumida a uma uniformidade absoluta de posições editoriais.

Os registros, porém, documentam episódios concretos em que pedidos do empresário produziram alterações em reportagens ou foram incorporados às discussões sobre sua publicação.

Banco Central rejeitou negócio apesar da articulação

A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB envolvia uma operação financeira complexa, com participação de uma instituição pública e transferência de ativos e passivos de grande valor.

Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de adquirir 58% do capital do Master. A negociação precisava superar diferentes etapas regulatórias e administrativas antes de ser concluída.

Em agosto, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sancionou legislação relacionada à operação. O Cade também havia autorizado a aquisição, mas o Banco Central ainda precisava avaliar sua compatibilidade com as exigências prudenciais do sistema financeiro.

Em 22 de agosto, o BRB divulgou um fato relevante informando modificações substanciais na estrutura da transação.

O documento indicava a exclusão de aproximadamente R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do conjunto inicialmente previsto para a operação. Entre os itens retirados estavam créditos, precatórios, participações em fundos e outros instrumentos financeiros.

O comunicado evidenciava a complexidade da negociação e a importância da avaliação técnica sobre a qualidade e os riscos dos ativos que seriam transferidos ao banco público.

A decisão final do Banco Central foi tomada em 3 de setembro, quando a autoridade monetária rejeitou por unanimidade a proposta de aquisição.

A rejeição demonstra que as iniciativas de comunicação discutidas por Vorcaro e Lilian Tahan não foram suficientes para assegurar a autorização regulatória.

Isso não elimina a importância da tentativa de influência revelada pelas mensagens. A possibilidade de interferir no debate público sobre uma decisão administrativa constitui um fato relevante independentemente de a estratégia produzir o resultado desejado.

A operação também ganhou uma dimensão institucional mais ampla depois que o Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, em novembro de 2025. Investigações posteriores passaram a examinar a situação financeira da instituição, suas operações de crédito e as relações mantidas por seus dirigentes com representantes do mercado financeiro e de diferentes esferas do poder público.

As mensagens relacionadas ao Metrópoles integram esse conjunto de informações sobre os mecanismos utilizados pelo banqueiro para administrar a imagem de sua instituição e buscar apoio para suas operações.

Elas também acrescentam elementos ao debate sobre o papel econômico das empresas de comunicação, cuja sustentabilidade financeira depende frequentemente de anunciantes e patrocinadores com interesses próprios.

O caso demonstra a necessidade de distinguir relações comerciais legítimas, prestação de informações por fontes e participação direta de agentes interessados nas decisões editoriais.

Também exige evitar conclusões que não estejam sustentadas pelos registros disponíveis. Não há comprovação de que Roberto Campos Neto tenha participado da estratégia de Vorcaro. Tampouco as mensagens demonstram que o Banco Central tenha alterado sua decisão em consequência das reportagens publicadas.

O que a investigação jornalística documenta é uma sequência de intervenções do controlador do Banco Master em conteúdos relacionados a seu próprio banco e a autoridades responsáveis pela avaliação de uma transação decisiva para seu futuro.

A divulgação dos registros desloca parte da atenção das investigações financeiras para a maneira como o banqueiro procurou atuar sobre a circulação de informações no país.

Com um contrato publicitário de R$ 20 milhões e acesso direto à direção do Metrópoles, Vorcaro participou de discussões sobre perguntas, títulos, conteúdo e calendário de reportagens enquanto o Master tentava obter autorização para sua venda parcial ao BRB.

A transação foi rejeitada pelo Banco Central, mas a documentação permanece relevante para compreender as relações estabelecidas entre interesses financeiros privados e a atividade jornalística.

O esclarecimento integral desses episódios dependerá do exame dos registros originais, dos procedimentos internos do veículo e das circunstâncias em que as alterações foram incorporadas às publicações. Até lá, a investigação do UOL apresenta evidências de uma interferência direta do banqueiro em decisões editoriais específicas, ao mesmo tempo que preserva a necessidade de distinguir essa atuação de responsabilidades criminais ou regulatórias ainda não demonstradas.

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