Milhares de colombianos foram às ruas nesta quarta-feira (14) na primeira greve nacional contra o governo de extrema direita de Abelardo de la Espriella. A mobilização reuniu sindicatos, estudantes, professores, comunidades indígenas, organizações feministas e coletivos LGBTQIA+ em mais de uma dezena de cidades.
Os manifestantes protestaram contra os cortes no orçamento e as reformas econômicas do governo de extrema direita, que, na avaliação dos movimentos, ameaçam direitos conquistados nos últimos anos.
A mobilização na Colômbia se soma a uma série de atos populares por todo o globo contra as ações da extrema direita.
Na pauta estavam a defesa do acesso gratuito às universidades públicas, dos aumentos do salário mínimo e da reforma agrária, além da rejeição à redução dos investimentos públicos. Os manifestantes também criticaram a retomada das relações diplomáticas com Israel e a ingerência dos Estados Unidos no país.
Em Bogotá, quatro colunas de manifestantes se encontraram na Plaza de Bolívar. Houve atos em cidades como Medellín, Cali, Barranquilla, Ibagué, Popayán e Bucaramanga. Os manifestantes também criticaram o arrocho nos serviços públicos e a retirada de direitos trabalhistas e sociais.
A greve ocorreu um dia depois de De la Espriella assinar o Decreto 1.525, que altera as regras de atuação policial em protestos.
A norma permite que as forças de segurança avancem para a intervenção sem concluir antes as etapas de prevenção, diálogo direto e mediação, caso as autoridades considerem inviável cumpri-las.
A mudança atinge o protocolo criado em 2021, após a Corte Suprema determinar medidas contra ações “sistemáticas, violentas e arbitrárias” das forças de segurança em manifestações.
Naquele ano, protestos contra o governo de Iván Duque se estenderam por cerca de três meses, em meio a confrontos, detenções abusivas e ataques à liberdade de expressão e de imprensa.
Em Medellín, o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) usou gás lacrimogêneo, balas de borracha e veículos blindados. Também foram registrados ataques a jornalistas. Em Ibagué e Popayán, houve confrontos após intervenções policiais.
A organização de direitos humanos Temblores denunciou a presença de homens armados com fuzis nos telhados de prédios oficiais em Bogotá e classificou a ação como uma ameaça à mobilização.]
O próprio balanço de De la Espriella registrou que 98% das concentrações foram pacíficas.
Segundo De la Espriella, o número de manifestantes chegou a 62 mil no auge das mobilizações. Ele também confirmou seis intervenções do Esmad, esquadrão antidistúrbios da polícia colombiana, e seis prisões.
Ainda assim, descreveu os manifestantes como “uma pequena minoria” que quer “parar a Colômbia”. Centrais sindicais já preparam um calendário de mobilizações para os próximos meses, com possibilidade de greve geral em novembro.