
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro, foi o único parlamentar a votar contra a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 nos dois turnos realizados nesta quarta-feira (14), no Senado.
O texto estabelece dois dias de repouso semanal remunerado e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. Mourão já havia registrado posição contrária na Comissão de Constituição e Justiça, que aprovou o parecer sobre a proposta em setembro.
Em 2018, quando concorria à Vice-Presidência, Mourão criticou o 13º salário e o adicional de férias durante uma palestra a empresários em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Chamou os direitos de “jabuticabas” e de “mochila nas costas de todo empresário”. Após a repercussão, sua assessoria afirmou que a fala havia sido descontextualizada e que ele se referia ao planejamento financeiro necessário para pagar os benefícios.
O senador Hamilton Mourão, único a votar contra o fim da 6×1, já disse que não dá o país sustentar o 13º, comparando a um pé de jabuticaba que produz só 12 frutos no ano. pic.twitter.com/Hzo55IjikU
— deok (@lauricadeok) October 15, 2026
Na mesma campanha, Mourão associou famílias de áreas pobres sem a presença de pais e avôs a uma “fábrica de elementos desajustados”, relacionando essa estrutura familiar ao recrutamento pelo narcotráfico. Ao responder às críticas, disse que havia feito uma “constatação”, e não uma crítica às mulheres.
Também em 2018, atribuiu a “indolência” à cultura indígena e a “malandragem” aos africanos ao comentar a formação da sociedade brasileira. Depois, afirmou que suas declarações haviam sido retiradas de contexto e mal compreendidas. Em outubro daquele ano, ao elogiar a aparência do neto, usou a expressão “branqueamento da raça”. Após a repercussão, declarou: “Fui um idiota”.
As declarações sobre a ditadura militar também integram seu histórico público. Em entrevista à GloboNews, em setembro de 2018, Mourão chamou de herói o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi de São Paulo durante a repressão política. Ao tratar da violência praticada no período, afirmou: “Heróis matam”.
Antes disso, em setembro de 2017, ainda como general da ativa, Mourão havia defendido a possibilidade de uma intervenção militar caso as instituições não solucionassem a crise política. Esses episódios, assim como os comentários sobre direitos trabalhistas, foram reunidos em um levantamento de declarações do general feita por Leonardo Sakamoto.