Fim da escala 6×1 é luta pela maior vitória sindical desde 1988

Mesmo com as dificuldades impostas pelos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o movimento sindical resistiu na defesa de suas propostas e hoje é peça-chave na aprovação da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

Essas pautas sempre estiveram presentes na Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (Conclat) de 2010, 2022 e 2026, além de marcar todas as manifestações de 1º de Maio.

Conforme o presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Adilson Araújo, o avanço para que os trabalhadores tenham garantido dois dias de folga realinha o Brasil a uma tendência internacional e irá trazer mais crescimento econômico, com geração de novos empregos, ao passo que novas tecnologias avançam, o que permite ganhos de produtividade e melhora nas condições de trabalho.

“Depois de 38 anos da promulgação da Constituição Cidadã, que tratou de reduzir a jornada de trabalho de 48 horas para 44 horas semanais, agora estamos a um passo de ter uma jornada de trabalho de 40 horas, que ainda não é aquilo que a gente deseja, mas que permite avançar”, celebra.

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Como aponta Adilson, a centralidade do projeto encabeçado pelo presidente Lula (PT), com apoio do movimento sindical e de movimentos sociais, tem sido fundamental nesse processo.

Adilson Araújo, presidente da CTB

O sindicalista lembra que o Brasil é o terceiro país no mundo com maior índice de doença ocupacional e o segundo do G20 com o maior indicador de mortes por acidente de trabalho. “Isso é revelador, sem contar ainda que nós temos um gritante número de trabalhos análogos à escravidão. Portanto, melhorar as condições de trabalho nesse País é uma demonstração de que estamos no caminho certo.”

Além de mais descanso para trabalhadores e mais produtividade para os empresários, outro benefício que Adilson aponta é na geração de empregos. Ele indica que estudo da Unicamp aponta para a geração de até 4 milhões de empregos com a redução da jornada e o fim da escala 6×1 no Brasil.

“Seguir com Lula por esse compromisso é efetivamente possibilitar que 4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras possam confiar nesse projeto, que traz uma perspectiva de Brasil humano e menos desigual”, declara.

Maior vitória desde a Constituição

Para o dirigente nacional da CTB e secretário Sindical Nacional do PCdoB, Nivaldo Santana, a aprovação do fim da escala 6×1 pode ser considerada a maior vitória do movimento sindical desde a Constituição de 1988.

Nivaldo Santana. Foto: André Cintra

“A pauta da redução da jornada de trabalho sem redução salarial ocupa o topo da agenda do sindicalismo e foi incorporada pelos movimentos sociais no plebiscito popular do ano passado. A luta ganhou maior força com o decisivo apoio do presidente Lula e será pauta importante nesta reta final da disputa presidencial”, analisa.

Luta histórica

Na mesma linha, o secretário de Comércio e Serviços da CTB e presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, avalia que a luta pelo fim da escala 6×1 é a continuidade de uma luta que vem desde a Assembleia Nacional Constituinte.

“Foi a pressão do movimento sindical que garantiu a jornada de 44 horas na Constituição de 1988 e que, nos anos 2000, lançou a Campanha Nacional pela Redução da Jornada sem Redução de Salário, uma das maiores ações unificadas do movimento sindical brasileiro desde a redemocratização. Agora, essa mesma força está nas ruas e no Congresso para conquistar as 40 horas e a escala 5×2”, afirma.

Ayer observa que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) apresentada é fruto de décadas de mobilização, de negociação coletiva e de pressão popular. Ele lembra que parte da oposição, após três anos chamando a PEC do fim da 6×1 de ‘inoportuna’, anunciou voto a favor 12 dias antes do segundo turno. A mudança não é por convicção, mas uma resposta, esta sim eleitoreira, à pressão dos trabalhadores, que encurralaram a extrema direita.

Leia mais: Empresas se antecipam ao Congresso e estabelecem escala 5×2

Sobre a adaptação ao novo modelo, o sindicalista lembra que o texto prevê uma transição gradual, sendo que a jornada cai para 42 horas em 60 dias e chega a 40 horas em até 14 meses.

Márcio Ayer, sindicalista

“Quando a mudança é para melhor, a adaptação vem naturalmente. Os trabalhadores e trabalhadoras do comércio sabem muito bem o valor de ter dois dias de descanso, de poder planejar a vida, de poder passar mais tempo com a família e os amigos. Os sindicatos vão acompanhar cada etapa, cobrando das empresas o cumprimento da lei e defendendo os direitos dos trabalhadores. O prazo de transição é justamente uma concessão às empresas, para que elas tenham tempo para reorganizar as escalas, ajustar os horários e, se necessário, contratar mais trabalhadores. O que não pode é o patrão usar a adaptação como desculpa para não contratar ou para precarizar. Os sindicatos vão ficar de olho”, declara.

Representando uma área com grande número de trabalhadores que atualmente estão na escala 6×1, o dirigente reforça que grandes empresas do varejo já se anteciparam e começaram a aplicar a escala 5×2 por conta própria: “E o que é melhor, essas empresas já relatam ganhos de produtividade com a redução da rotatividade, a diminuição de faltas e o aumento da procura por vagas”, explica Ayer.

Apoio das ruas

Assim como Nivaldo, o vice-presidente da CTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, destaca que as ruas mostraram apoio à proposta, que está intrinsecamente ligada às decisões do presidente Lula.

Segundo Bira, o presidente confiou ao movimento sindical a articulação para que o projeto avançasse. Como observa, até mesmo o candidato adversário dele nas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL), não deve se opor à aprovação do texto, pois não consegue sustentar o que realmente pensa e tem medo da desaprovação que votar contra a proposta pode lhe trazer.

“Estamos aqui no Senado firmes na luta para que possamos ganhar e mostrar para a população quem está do lado do povo, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz.

Bira. Foto: Reprodução

De acordo com Bira, nas manifestações que levaram milhões de pessoas às ruas do País em apoio ao presidente Lula, os pedidos pelo fim da escala 6×1 sempre estiveram presentes. Assim, aprovar essa medida para tirar esse peso das costas do trabalhador e depois reeleger o presidente Lula faz parte de um processo de continuidade do desenvolvimento social e econômico do Brasil.

“Precisamos vencer essas eleições e abrir um novo rumo no nosso país. Sem arcabouço fiscal, sem juros altos, melhorando a qualidade dos empregos para oferecer uma vida melhor para o nosso povo”, completa Ubiraci.

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