Sob pressão da virada, Flávio recua e confirma debate com Lula

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mudou de ideia em menos de 24 horas e agora diz que estará no debate da Band, marcado para domingo (18), às 20h (horário de Brasília). A reviravolta ocorreu depois de Lula confirmar presença e desafiá-lo a comparecer para que os dois apresentassem ao eleitorado suas diferenças.

A explicação oficial de Flávio é curiosa: uma suposta “estratégia” para atrair o rival. A extraoficial, segundo aliados desgarrados, é o susto com a subida de Lula nas pesquisas. A versão oficial surgiu justamente depois de o presidente aceitar o confronto — e em meio a sinais de que a disputa está se tornando mais apertada com a forte mobilização de Lula nas ruas e nas redes.

Com a confirmação de ambos no palco da Band, e também nas entrevistas individuais na TV Globo (Lula nesta quinta, 15, e Flávio nesta sexta, 16, logo após o Jornal Nacional), o segundo turno ganha contornos de alta tensão.

A matemática das pesquisas começa a incomodar

Reportagem de Lauro Jardim, de O Globo, informa que pelo menos dois trackings encomendados por grandes bancos registraram avanço de Lula na última semana. A vantagem de Flávio nos votos válidos, que estava em quatro pontos percentuais, teria diminuído.

O movimento ainda precisa ser confirmado pelas pesquisas públicas. A nova rodada da Quaest, prevista para esta quarta-feira (14), deve oferecer um retrato mais amplo da evolução do eleitorado.

Mas há outro dado político relevante. O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-aliado do bolsonarismo, afirmou que pesquisas internas do PL apontariam um crescimento “vertiginoso” e constante de Lula. Segundo ele, a mudança de Flávio ocorreu porque a ausência no debate poderia abrir espaço para que Lula encostasse ou até ultrapassasse o candidato do PL.

“Flávio não queria encarar Lula no debate, mas vai ter que encarar para ver se consegue estagnar o crescimento de Lula”, afirmou Otoni. O debate, portanto, deixou de ser uma opção e virou uma necessidade de sobrevivência política para tentar estancar a sangria de intenções de voto.

De “não vou” a “eu só queria que você confirmasse”

Na terça-feira (13), Flávio havia sido direto ao afirmar que não pretendia participar do debate de domingo. “Não vou, não está previsto esse debate domingo”, declarou, deixando a decisão sobre uma eventual participação para sua equipe.

Horas depois, Lula confirmou que estaria na Band e disse esperar a presença do adversário. A resposta de Flávio veio nesta quarta-feira, em vídeo publicado nas redes sociais.

“É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse”, afirmou. Agora, promete “esfregar a verdade na cara” de Lula. A súbita mudança de tom levanta a questão: seria coragem ou apenas um reflexo condicionado ao ver o rival ocupando o palco sozinho?

A mudança de versão transforma o episódio em uma espécie de ensaio de coragem eleitoral: primeiro o candidato anuncia que não vai; depois Lula confirma que vai; em seguida, Flávio anuncia que também vai — e apresenta a própria desistência como uma estratégia para provocar o adversário.

Agora, resta saber se a coragem recém-confirmada resistirá até domingo. Flávio é conhecido pelo episódio em que passou mal e desmaiou durante um debate na Band entre os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro, transmitido ao vivo. Na mesma noite, a assessoria de Flávio Bolsonaro e o próprio candidato afirmaram que o mal-estar ocorreu devido a um quadro de intoxicação alimentar associado a uma queda de pressão arterial.

O debate que Flávio não queria perder — nem enfrentar

O confronto terá peso especial porque ocorre quando a diferença entre os dois candidatos é estreita. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Foram pouco mais de dois milhões de votos de diferença.

Nesse cenário, cada exposição pública pode ser decisiva para consolidar votos ou provocar novas movimentações.

Lula, que já havia confirmado presença, transformou a ausência anunciada por Flávio em desafio político. O candidato do PL agora terá de sustentar diante das câmeras a disposição que apresentou nas redes sociais.

E haverá ainda um teste adicional: manter a compostura diante de um adversário que passou a campanha cobrando o confronto direto.

Depois de tanta negociação sobre se iria ou não, a pergunta que fica para domingo é mais simples: Flávio vai sustentar o debate até o fim?

O eleitorado certamente estará atento. E, desta vez, não haverá como atribuir a ausência à falta de convite.

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