A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, poderia ter participação econômica ou societária na Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo os investigadores, o senador figurava como “usuário master” da conta bancária da offshore, perfil que permite acesso e gerenciamento dos recursos.
A informação foi publicada nesta quarta-feira (14) pela jornalista Malu Gaspar, em reportagem no Globo, assinada também por Yago Godoy e Johanns Eller. De acordo com o relatório citado pelo jornal, o acesso atribuído a Flávio sustenta a hipótese de que sua relação com a empresa poderia ir além de uma simples vinculação cadastral.
A Alcazar Holdings pertence formalmente ao advogado Willer Tomaz, investigado no caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A empresa detinha um terço da Fraction 024, proprietária do jatinho Legacy 650 usado por Flávio em uma viagem entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025. Outra cotista da aeronave era a Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro foi sócio.
O que a PF investiga
A reportagem publicada em 10 de outubro, no Vermelho, pelo jornalista Cezar Xavier, já havia abordado os registros bancários que aproximam Flávio Bolsonaro de Willer Tomaz. A nova reportagem de Malu Gaspar acrescenta detalhes sobre o nível de acesso do senador à conta da Alcazar e sobre a interpretação que a PF dá a esse registro.
Entre os documentos analisados pelos investigadores está uma troca de e-mails recuperada do iCloud de Tomaz. Em 22 de maio de 2025, uma funcionária do advogado pediu ao Santander que desvinculasse uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro do cadastro bancário.
O ponto central, agora, é o significado desse cadastro. Segundo O Globo, o relatório da PF afirma que Flávio aparecia na documentação de abertura da conta como “usuário master”, condição que lhe conferia acesso operacional bastante relevante. Para os investigadores, esse elemento sustenta a hipótese de uma possível participação econômica ou societária de fato na Alcazar.
Flávio se explica, mas conta de offshore segue sem resposta
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou ao Globo que a vinculação era indevida e que o senador nunca manteve conta na qual Willer Tomaz ou empresas ligadas a ele figurassem como usuários master. O advogado também negou qualquer vínculo financeiro ou societário com Flávio.
As negativas, porém, não respondem à questão central: por que o nome do presidenciável constava como usuário master da conta da Alcazar Holdings, com acesso elevado aos recursos da empresa, segundo o relatório da PF? Flávio pode negar a relação, mas os registros bancários levantam perguntas que sua nota não responde. Candidato à Presidência, deve explicações sobre uma relação financeira que os documentos da investigação colocaram sob suspeita e que sua negativa, até agora, não esclarece.