
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou na segunda-feira (12) que meninos não poderão usar cabelo comprido nas escolas públicas do país. As novas regras também vetam maquiagem, cabelos pintados, unhas esmaltadas e celulares para os estudantes da rede estatal.
Durante ato em um colégio de Chaclacayo, a cerca de 30 quilômetros de Lima, Keiko afirmou que “os garotos devem vir de cabelo curto” e que é “totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem”. Ela defendeu a medida como parte de uma política de disciplina nas salas de aula.
“A ordem não deve existir apenas nas ruas. Também precisa retornar às nossas escolas, às nossas salas de aula”, disse a presidente. Keiko também anunciou a retomada das chamadas notas de conduta, abolidas em 2019, que avaliam pontualidade e comportamento dos alunos.
A presidente afirmou ainda que as escolas voltarão a aplicar expulsões. “Os mais malcriados não estarão nas salas de aula”, declarou. O Ministério da Educação abriu uma consulta pública de 15 dias antes de estabelecer oficialmente as novas normas.
Regras atingem 6,7 milhões de alunos da rede pública

O ministro da Educação, José Antonio Chang, detalhou que as restrições incluirão “maquiagem, esmalte e cabelos excessivamente longos ou tingidos”. Ele também citou a intenção de estabelecer um comprimento considerado apropriado para as saias dos uniformes escolares.
As medidas devem alcançar 6,7 milhões de estudantes das escolas públicas, grupo que representa 72% dos alunos da educação básica peruana. Os 2,6 milhões matriculados em instituições privadas seguirão as normas definidas por cada escola.
Chang afirmou que as expulsões poderão atingir estudantes envolvidos em faltas graves, como agressões físicas e uso indevido de celular. Alunos afastados permanentemente continuariam os estudos em modalidade híbrida, com aulas virtuais e atendimento presencial.
A senadora Ruth Luque, opositora de esquerda de Keiko, criticou o anúncio e questionou: “Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?”. Ela também condenou a aplicação das regras apenas à rede pública e defendeu mais investimentos nas escolas.
Luque afirmou que a autoridade dos professores “não se constrói confundindo a aparência pessoal com a conduta, nem impondo estereótipos sobre como meninos e meninas devem se apresentar”.
As restrições anunciadas no Peru se assemelham às regras implementadas em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, onde diretores precisam verificar uniformes e cortes de cabelo dos alunos. Keiko tem viagem prevista para visitar Bukele no fim de outubro, após citá-lo durante a campanha como referência no combate à criminalidade.