
O ex-presidente Jair Bolsonaro teria aconselhado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a agir com cautela nas articulações sobre um eventual ministério e a sucessão nos comandos do Congresso. Aliados relataram que a orientação buscou evitar desgastes políticos antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
Flávio visitou o pai na terça-feira (13) e ouviu recomendações para não antecipar negociações por cargos nem se envolver publicamente em disputas internas entre aliados. O senador enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na etapa final da eleição.
As conversas incluíram as articulações para suceder Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara e Davi Alcolumbre (União-AP) no comando do Senado. A bancada do PL cresceu e a candidatura de Flávio passou a reunir novos partidos, que também têm interesse nas negociações previstas para 2027.
Aliados avaliam que uma manifestação antecipada do candidato sobre as presidências das Casas poderia criar resistências e dificultar a formação de apoios na campanha. O mesmo cálculo se aplica à composição de um eventual governo federal.
Visita ocorreu após fim de suspensão de encontros
Nomes para ministérios já circulam entre integrantes da campanha, mas Jair Bolsonaro vê risco de disputas internas e de desgaste de possíveis indicados antes de qualquer definição eleitoral. A exposição também poderia transmitir a ideia de que a candidatura considera a vitória assegurada.
A orientação alcançou ainda integrantes do entorno de Flávio Bolsonaro. A preocupação é que declarações e movimentações de aliados provoquem atritos durante a reta final da disputa e comprometam a consolidação da base formada após o primeiro turno.
A visita ocorreu depois do fim de uma suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao autorizar a retomada dos encontros, Moraes manteve a proibição de reuniões com finalidade político-eleitoral.
Ao deixar a residência, Flávio confirmou que recebeu orientações, sem detalhá-las. “Conversei com ele, está bem-humorado, está satisfeito com o trabalho que vem sendo feito, está esperançoso de que o Brasil vai mudar. É óbvio que ele dá algumas dicas”, afirmou.
O fim da escala 6×1 também entrou na conversa. Após o encontro, Flávio anunciou apoio à PEC que trata do tema e deve ser analisada pelo Senado nesta quarta-feira (14), embora mantenha a defesa de um modelo baseado na remuneração por hora trabalhada.