Por Adilson Araújo, presidente da CTB
Quarta-feira, 14 de outubro de 2026, deve ser um dia histórico para a sociedade brasileira, e em especial sua classe trabalhadora. Atendendo pedido pessoal do presidente Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou para essa data a votação, em primeiro turno, da PEC 221/2019, a Proposta de Emenda Constitucional que determina o fim da desumana escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.
A extrema direita bolsonarista, liderada pelo candidato do PL à Presidência, tentou por todos os meios sabotar a tramitação e impedir a votação da proposta, que já conta com o aval da Câmara dos Deputados. Mas, diante do clamor popular pela medida, que ecoou com força nas ruas durante as grandiosas manifestações contra o candidato do fascismo e pela reeleição de Lula, os partidários de Flávio Bolsonaro estão propensos a mudar de opinião. Anunciaram que vão votar a favor da PEC para evitar uma repercussão negativa nas urnas no próximo dia 25.
Bandeira histórica
A redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma bandeira histórica da classe trabalhadora e tem um significado estratégico para os assalariados, que passam a dispor de mais tempo livre para o convívio com a família, cuidados com a saúde, a educação, o lazer.
Em nosso caso, o anseio por mais um dia de folga e a redução da carga de trabalho é notável sobretudo entre as mulheres, que em geral cumprem uma dupla jornada de trabalho, tendo em vista as tarefas domésticas.
Menos tempo gasto no trabalho significa menos estresse e mais saúde para os trabalhadores e trabalhadoras, menos acidentes de trabalho e absenteísmo, mais produtividade e produção.
Consumo e produtividade
Os resultados macroeconômicos serão benéficos para o conjunto da sociedade, pois como estimam muitos economistas a redução da jornada de trabalho resulta em aumento do nível de emprego, da renda do povo trabalhador, do consumo doméstico e da produtividade do trabalho. Fortalece o mercado interno e tem um sentido desenvolvimentista.
Além disso, é preciso lembrar que o próprio avanço das novas tecnologias cria as condições econômicas objetivas necessárias para a diminuição da carga de trabalho na medida em que reduzem o tempo necessário para a produção dos bens e serviços consumidos pela sociedade. O terrorismo promovido por setores do patronato e pelos bolsonaristas contra o fim da escala 6×1 não tem base na ciência ou na história, reflete apenas a preocupação mesquinha com a redução dos lucros apropriados pelos capitalistas.
O empenho de Lula
Essa conquista, se consumada amanhã, não ocorre por acaso durante o governo Lula. Só será possível porque, diferentemente dos bolsonaristas, o presidente se empenhou pessoalmente e vigorosamente na campanha nacional em defesa desta bandeira histórica da nossa classe trabalhadora, que enfrenta ferrenha oposição da alta burguesia.
Este é mais uma razão para a nossa classe trabalhadora votar 13 em 25 de outubro, que ficará conhecido na história como o Dia da Virada. A preservação e ampliação das conquistas e direitos do nosso povo, bem como da democracia e da soberania nacional. passam necessariamente pela reeleição de Lula e a derrota da extrema direita fascista e entreguista.