Kassio censura “Exército do Lula” novamente e manda Meta monitorar grupo

Kassio Nunes Marques
Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Foto: Mateus Bonomi/Reuters

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, voltou a censurar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá ser responsabilizado pelo uso irregular da ferramenta. O canal, que reúne cerca de 4 milhões de seguidores, só poderá voltar a funcionar depois de cumprir exigências impostas pela Justiça Eleitoral.

Nunes Marques determinou que os endereços eletrônicos usados pelo canal sejam formalmente comunicados ao TSE. Para o ministro, é “incontroverso” que Janones atua em coordenação com a campanha presidencial, o que torna obrigatório o registro da ferramenta como meio oficial de propaganda eleitoral. Texto colado

A nova censura ocorreu depois que a área técnica do TSE informou que mensagens publicadas entre 25 e 29 de setembro haviam sido apagadas ou editadas, o que criou uma lacuna na análise do conteúdo do canal. Em um dossiê enviado à Corte, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ter identificado 499 mensagens apagadas, três delas classificadas anteriormente pelo próprio TSE como falsas e já submetidas a ordens de remoção.

A Meta também deverá acompanhar as publicações durante a eleição e retirar imediatamente conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles que já tenham sido alvo de ordens de remoção da Justiça Eleitoral.

Trecho da decisão de Kassio Nunes Marques sobre anúncios da Meta. Foto: Rprodução

O “Exército do Lula” já havia sido retirado do ar no domingo (11), também por decisão de Nunes Marques, após pedido da campanha de Flávio. A ação acusava o canal de divulgar conteúdos falsos sobre Nossa Senhora Aparecida, supostas ligações do senador com milícias, lavagem de dinheiro envolvendo a Kopenhagen e cortes no INSS.

Apesar das acusações, a própria reportagem registra que a campanha de Flávio não havia anexado ao processo atas notariais ou registros digitais que comprovassem a circulação desses conteúdos no canal. A primeira decisão de Nunes Marques acabou derrubada horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, até que o plenário analisasse o caso.

Na segunda-feira (12), a área técnica do TSE também informou que não encontrou no canal as publicações apontadas pela campanha de Flávio, embora tenha feito a ressalva de que algumas mensagens poderiam ter sido apagadas antes da análise.

Agora, além de manter o canal fora do ar até a regularização, Nunes Marques abriu a possibilidade de responsabilização de Lula pelo uso da ferramenta, caso seja comprovada atuação irregular vinculada diretamente à campanha. A decisão adiciona um novo capítulo à disputa judicial em torno da comunicação digital das duas candidaturas no segundo turno.

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