
Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobrou combate às fake news no domingo (11) e, na segunda-feira (12), compartilhou um vídeo falso que associa um suposto consumo de drogas à manifestação de Lula na Avenida Paulista. Por outro lado, o governador de São Paulo já aproveitou da mentira para favorecer o aliado e atual prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB).
Em 27 de outubro de 2024, dia do segundo turno da eleição municipal de São Paulo, Tarcísio afirmou que a inteligência policial havia interceptado orientações de uma facção criminosa para votar em Guilherme Boulos (PSOL). Fez a declaração ao lado de Ricardo Nunes, adversário de Boulos, e mencionou trocas de informações com a Justiça Eleitoral. A resposta do TRE-SP foi direta: não havia recebido relatório de inteligência nem informação oficial sobre aquele caso. “O Tribunal soube do caso pela imprensa”, informou.
Em um almoço entre prefeitos, vereadores e Flávio Bolsonaro no domingo (11), Tarcísio tentou associar a campanha do presidente Lula a mentiras em série. “Eu nunca vi uma campanha tão mentirosa na minha vida. Está valendo tudo pelo poder”, declarou o governador ao lado do candidato a presidência pelo PL. Bastou um dia para seu próprio perfil expor a hipocrisia do sermão.
➡️“Nunca vi uma campanha tão mentirosa na minha vida”, diz Tarcísio de Freitas
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— Metrópoles (@Metropoles) October 11, 2026
A checagem do Aos Fatos encontrou o vídeo da mulher circulando no sábado (10), antes da manifestação realizada no domingo (11), em perfis argentinos e chilenos. A origem da gravação, a identidade da mulher e a substância mostrada permanecem desconhecidas. Tarcísio compartilhou o conteúdo na tarde de segunda-feira, e mesmo depois de ter sido pego na hipocrisia, manteve o vídeo no ar.
A mesma falsa associação chegou ao Tribunal Superior Eleitoral. Nesta segunda, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou a remoção das publicações de Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal e Rony Gabriel que utilizavam o vídeo para atacar a manifestação. O prazo é de 24 horas a partir da intimação. A decisão é provisória, e Tarcísio não foi incluído na ação, embora também tenha divulgado o material.
A hipocrisia de Tarcísio mostra que o mesmo não consegue sustentar nem ao menos um palmo da verdade. Usou sua autoridade como governador em 2024 para espalhar uma mentira sobre Guilherme Boulos, adversário de seu candidato a prefeitura de São Paulo no dia de votação. E em 2026, um dia depois de afirmar que o PT faz a “campanha mais mentirosa” da vida dele, Tarcísio de Freitas repete uma mentira deslavada sem o menor peso na consciência.