Milionários em Miami já projetam até Bolsa de Valores para Cuba após queda do regime

Juan Omar Sixto durante encontro de empresários cubano-americanos em Miami
Juan Omar Sixto durante encontro de empresários cubano-americanos em Miami. Foto: Reprodução

Empresários cubano-americanos reunidos em Miami elaboram planos para investir em Cuba caso ocorra uma mudança de regime na ilha. O grupo, reunido na Câmara Nacional de Comércio Cubano-Americana, diz estar preparado para atuar imediatamente em setores como energia, alimentos e infraestrutura. Com informações de g1.

Juan Omar Sixto, presidente da entidade e empresário da construção civil, afirmou que o objetivo é levar empresários a Cuba “assim que cair o regime”. Ele disse que, além de ajuda humanitária e insumos médicos, os integrantes pretendem “ir fazer negócios em Cuba imediatamente”.

O encontro reuniu famílias ricas da diáspora cubana na Flórida, incluindo pessoas ligadas aos sobrenomes Bacardí e Babún. A organização criou comitês voltados à infraestrutura energética, à segurança alimentar e a uma proposta de Bolsa de Valores cubana.

Sixto, que deixou Cuba na adolescência, condiciona qualquer retorno à saída do atual governo. Ele também afirma ter contatos próximos a pessoas ligadas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e aponta a pressão do governo Donald Trump sobre Havana como um fator para os planos do grupo.

Hugo Orizondo reconhece que é difícil conhecer a situação atual em Cuba. Foto: BBC

Terras nacionalizadas estão no centro das reivindicações

A disputa sobre propriedades confiscadas após a Revolução Cubana de 1959 ocupa lugar central nas propostas dos empresários. Sixto afirma que seu pai perdeu cinco imóveis e uma fazenda em Pinar del Río e defende receber a restituição das terras ou uma indenização.

“Trabalhei naquela fazenda por cinco anos da minha vida com meu pai e eles a tiraram”, disse Sixto. Ele declarou não querer remover famílias que vivem no local, mas classificou uma compensação como “justiça moral”.

Nicolás Gutiérrez, presidente da Associação Nacional de Proprietários de Engenhos Açucareiros de Cuba, afirmou que antigos donos pretendem recuperar áreas agrícolas e voltar a colocá-las em produção. Ele citou alternativas ao cultivo de açúcar, como etanol, cogeração de energia, painéis solares e sistemas de purificação de água.

O historiador Mike Bustamante, da Universidade de Miami, considera prematura a expectativa de uma transformação iminente. Enquanto isso, Cuba enfrenta escassez de alimentos, água, combustível e medicamentos, e a recuperação da rede elétrica da ilha pode custar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões.

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