Metade dos senadores que querem afastar ministros do STF é ou já foi alvo da Corte

Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução

A bancada do Senado favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal reúne 49 parlamentares eleitos ou em exercício, e 25 deles já foram investigados, responderam a ações penais ou sofreram medidas investigativas autorizadas pela própria Corte. O grupo está a cinco votos dos 54 necessários para afastar um integrante do STF. Com informações do Estadão.

Entre os 31 senadores eleitos em 2026 que defenderam publicamente o afastamento de ao menos um ministro, 18 têm histórico de investigações, ações ou medidas determinadas pelo Supremo. Os casos contabilizados incluem procedimentos arquivados, absolvições e apurações que depois seguiram para outras instâncias. Os parlamentares citados foram procurados e não se manifestaram.

O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) foi alvo de buscas em janeiro de 2024, na Operação Lesa Pátria, que apurava suspeitas de organização de atos antidemocráticos após a eleição de 2022. Em dezembro de 2025, uma nova operação autorizada pelo ministro Flávio Dino investigou suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar; Jordy negou irregularidades nas duas ocasiões.

O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), também eleito senador, teve o passaporte recolhido e recebeu ordem para não contatar outros investigados em operação autorizada por Dino, em agosto de 2026. A Polícia Federal apura suspeitas de desvio de R$ 308 milhões em um acordo entre o governo estadual e uma empresa de telefonia; Mendes negou irregularidades.

Gustavo Gayer (PL-GO)

Investigações atingem nomes eleitos para o Senado

Gustavo Gayer (PL-GO), eleito senador, foi alvo de operação autorizada por Alexandre de Moraes em outubro de 2024, em investigação sobre o uso de recursos da cota parlamentar. A PF o indiciou em dezembro de 2025 por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica. Gayer negou irregularidades e atribuiu o indiciamento à defesa que faz do impeachment de ministros.

Carlos Bolsonaro (PL-SC), eleito por Santa Catarina, foi apontado pela Polícia Federal como possível articulador do chamado “gabinete do ódio”, investigado no inquérito das fake news. Ele também sofreu buscas em janeiro de 2024 na apuração sobre o uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Jair Bolsonaro e foi indiciado, em junho de 2025, como integrante do núcleo político do esquema. Em julho de 2026, Moraes enviou o caso à primeira instância da Justiça Federal.

Bia Kicis (PL-DF) e Caroline de Toni (PL-SC), ambas eleitas senadoras, tiveram sigilos bancários quebrados em 2020 no inquérito sobre financiamento de atos antidemocráticos, arquivado em julho de 2021 a pedido da Procuradoria-Geral da República. Bia voltou a prestar esclarecimentos ao STF em 2026 sobre R$ 150 mil em emendas destinados a uma série ligada à produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro; ela afirmou que os recursos não foram executados.

O professor Luiz Gomes Esteves, do Insper, afirmou que a nova composição do Senado pode reagir ao Supremo não apenas por processos de impeachment, mas também por mudanças constitucionais nas atribuições da Corte. A professora Ana Laura Barbosa, do Insper e da FGV-SP, alertou que a ameaça de afastamento pode pressionar ministros, mas ressaltou: “Não dá pra usar impeachment para punir juízes pelas decisões que proferiram ou por especulações”.

A exigência de 54 votos também passou a valer para etapas anteriores do processo após liminar de Gilmar Mendes, concedida em dezembro de 2025. O ministro afastou a regra de maioria simples para a aprovação de pareceres que permitem o avanço do procedimento, e a decisão ainda aguarda análise do plenário do STF.

Artigo Anterior

Líder evangélico recebido por Lula no Planalto pede votos para Flávio durante culto

Próximo Artigo

Contra isolamento por Gaza, Netanyahu aproxima Israel da extrema direita europeia

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!