
O PL entrou no clima de “já ganhou” após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula e passou a articular uma anistia para tirar Jair Bolsonaro da prisão ainda em 2026. Com o segundo turno por disputar, aliados já projetam o ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, entregando a faixa presidencial ao filho. Com informações de O Globo.
O salto alto aparece no discurso do próprio candidato. Em agenda em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Flávio anunciou: “Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente”. A declaração antecipa uma cena que depende tanto da vitória eleitoral quanto de uma saída jurídica para a condenação do pai.
O partido elegeu 121 deputados e 28 senadores e passou a refazer os cálculos para aprovar a medida no Congresso. Antes do primeiro turno, dirigentes bolsonaristas consideravam remota uma solução legislativa ou judicial. Agora, a anistia entrou nas reuniões da campanha, enquanto pessoas próximas a Bolsonaro trabalham para que ele deixe a prisão antes do fim do ano.
Flávio recebeu representantes do Republicanos e do Podemos em Brasília e viajou a Goiânia para buscar o apoio de Ronaldo Caiado (PSD). Ele também se reuniu com dirigentes da federação União Brasil-PP e do Novo. Michelle Bolsonaro participou de um encontro com a bancada do PL para organizar a campanha, e o Podemos formalizou a adesão à candidatura.
As conversas não produziram um compromisso público sobre um texto de anistia. Parlamentares divergem sobre o alcance da proposta para os condenados pela tentativa de golpe e admitem o risco de o STF derrubar uma eventual lei. O deputado e senador eleito Domingos Sávio (PL-MG) afirmou que o Congresso deve agir se a Corte não revisar as condenações: “Se o STF não corrigir, vamos corrigir”.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), defende votar a proposta ainda neste ano caso Flávio vença a eleição. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, procurou seis ministros do STF, entre eles o presidente da Corte, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Nunes Marques. Marinho declarou esperar uma revisão do caso: “Justiça será feita em um momento oportuno”.
Na via judicial, a defesa de Jair Bolsonaro pediu revisão criminal ao STF para anular a condenação e solicitou que ele aguarde o julgamento em liberdade. Nunes Marques indicou que pretende levar os pedidos ao plenário após o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Antes disso, a PGR precisa se manifestar, e Fachin decidirá sobre a inclusão do caso na pauta, que ainda não tem data definida.