
O juiz Francisco Tojal, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE), denunciou ter sido vítima de xenofobia em um restaurante de hotel em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Natural de Aracaju, em Sergipe, o magistrado relatou que foi insultado por um homem após perguntar a uma funcionária sobre um prato típico da culinária gaúcha. Ele atribuiu as ofensas ao seu sotaque e à sua origem nordestina.
Tojal estava na capital gaúcha para ministrar uma palestra na Escola da Magistratura sobre a escalada da violência de gênero. Segundo seu relato, o episódio começou quando perguntou a uma atendente o que era o prato conhecido como “à la minuta”. Um homem sentado na mesa ao lado interrompeu a conversa e perguntou, em tom de deboche, de que país o juiz era. “Esse cidadão se levantou, se sentiu no direito de me xingar, de falar vários palavrões e ainda de me associar a um determinado grupo político”, afirmou.
O magistrado explicou que vestia roupas pretas e não utilizava qualquer identificação partidária. Para ele, a hostilidade não foi provocada pelo desconhecimento da refeição, mas por sua maneira de falar. Tojal contou que ficou paralisado durante a abordagem, com receio de sofrer agressões mais graves. “Nenhum cidadão brasileiro deve ser hostilizado no seu próprio país por ser de onde é”, declarou.
Ver esse post no Instagram
Ao comentar o episódio, o juiz se apresentou como um “nordestino com muito orgulho” e destacou a contribuição da região para a história brasileira. Ele mencionou personalidades como o escritor Jorge Amado, a psiquiatra Nise da Silveira e Maria da Penha, que deu nome à legislação de combate à violência doméstica. “A existência, a dignidade e a identidade do outro não podem ser negociadas”, acrescentou.
Após as ofensas, Tojal afirmou ter recebido apoio de amigos e de instituições gaúchas. Segundo ele, a Presidência, a Vice-Presidência e a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, além da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), ofereceram auxílio para a adoção das providências legais. O magistrado ressaltou que o episódio não representa a população gaúcha e que decidiu tornar o caso público para alertar sobre a discriminação regional.
Ao encerrar seu relato, Tojal condenou a intolerância contra pessoas de outras regiões do país. “Xenofobia é ódio, é intolerância. É crime”, afirmou. Não foram divulgadas informações sobre a identidade do homem apontado como responsável pelas ofensas nem sobre eventual registro de ocorrência policial.