
O papa Leão XIV afirmou neste sábado (10) que a pena de morte é “inadmissível” por violar a dignidade humana. A manifestação ocorre em meio ao plano do Pentágono de transmitir ao vivo a execução do ex-major Nidal Malik Hasan, condenado por matar 13 pessoas em uma base do Exército estadunidense no Texas.
Leão XIV sustentou que os sistemas prisionais atuais permitem proteger a população e atender às exigências da Justiça sem eliminar dos condenados a possibilidade de redenção. O papa não citou diretamente o governo estadunidense nem a execução de Hasan.
Hasan matou 13 pessoas e feriu outras 32 no ataque à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. A Justiça militar o condenou à morte em 2013, e o fuzilamento está previsto para 3 de dezembro de 2026, na mesma base. Se realizado, será a primeira execução promovida pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1961.
The death penalty is inadmissible because it is an attack on the inviolability and dignity of the person. The common good can be safeguarded and the requirements of justice can be met without recourse to capital punishment: effective systems of detention have been developed that protect citizens while at the same time do not completely deprive those who are guilty of the possibility of redemption. #NoDeathPenalty
— Pope Leo XIV (@Pontifex) October 10, 2026
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, criticou a proposta de transmissão. “Certamente, não é aceitável que se transforme a morte em espetáculo”, declarou ao Vatican News. Ele afirmou que a culpa do condenado não elimina a existência de outros meios de punição e reiterou a oposição da Igreja à pena capital.
Nos Estados Unidos, o arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos do país, manifestou choque e profunda tristeza. Em nota divulgada na sexta-feira (9), reconheceu a gravidade dos crimes de Hasan, mas classificou a iniciativa como uma promoção bárbara da cultura da morte e pediu que fosse reconsiderada.
A posição de Leão XIV segue a revisão adotada pelo papa Francisco em 2018, quando a Igreja Católica passou a considerar a pena capital inadmissível em todas as circunstâncias. Antes da mudança, o Catecismo admitia a execução apenas quando fosse o único meio possível de proteger outras vidas.