Aragão denuncia “terrorismo de campanha” e acusa Veja de crime eleitoral

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Reprodução da Veja on line

O ex-ministro da Justiça e ex-vice-procurador-geral eleitoral Eugênio Aragão classificou como “terrorismo de campanha” a fake news da Veja que atribui a Daniel Vorcaro o financiamento de um documentário sobre o presidente Lula. Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (9), o jurista comparou o episódio à atuação da revista na eleição de 2014. “A revista Veja reincidiu especificamente numa fake news de grandes proporções em plena campanha eleitoral”, afirmou. Com informações da TV 247.

Aragão cobrou um posicionamento da sociedade e uma reação dos tribunais à desinformação. “Isso não são métodos de campanha. Isso é terrorismo de campanha. São métodos sórdidos, sujos. Coisa que uma democracia não pode permitir”, declarou. Para ele, o país enfrenta uma “guerra informativa muito grave”.

Ao recordar 2014, o ex-ministro citou a capa “Eles sabiam de tudo”, que apontava suposto conhecimento de Lula e Dilma Rousseff sobre os desvios na Petrobras. Aragão contou que, como vice-procurador-geral eleitoral, deu parecer favorável ao pedido de resposta do PT. Em 25 de outubro daquele ano, o ministro Admar Gonzaga concedeu direito de resposta à coligação de Dilma e ao partido no site da Veja.

Na reportagem desta sexta-feira, a revista atribuiu a Vorcaro um suposto repasse de R$ 30 milhões ao Instituto Lula para financiar o documentário. Aragão viu uma tentativa de transferir ao presidente o escândalo de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro já admitiu o investimento de Vorcaro, em entrevista à CNN Brasil: pouco mais de US$ 12 milhões, cerca de R$ 60 milhões, na produção. O senador sustentou que os recursos foram destinados integralmente ao filme.

A Polícia Federal negou que Vorcaro tenha prestado o depoimento descrito pela Veja ou entregue à instituição anexos, documentos e informações com aquele conteúdo. Em nota oficial, a corporação afirmou que as propostas de colaboração do banqueiro não foram acolhidas por não atenderem aos requisitos legais. A PF também informou ter recebido uma notícia-crime com pedido de providências urgentes sobre a publicação, encaminhada à área técnica.

A equipe responsável por “Lula”, de Oliver Stone, já havia negado o financiamento em maio. Segundo os produtores, a produção não recebeu apoio financeiro de Vorcaro, do Banco Master ou de companhias e fundos vinculados ao grupo.

Aragão também criticou a participação de Nunes Marques e André Mendonça na análise da propaganda eleitoral e os acusou de omissão. “Em vez de parar esse tipo de conduta, eles simplesmente se omitem”, afirmou. A distribuição desses processos no TSE também inclui a ministra Estela Aranha e o ministro substituto Marco Aurélio Bellizze, designado para a função em 7 de outubro.

Ao encerrar, o jurista defendeu que a campanha de Lula e a sociedade esclareçam a falsidade da narrativa. Mesmo desmentida, alertou, ela pode alcançar eleitores. “Mas ela pode influenciar muita gente”, disse. “É importante que isso seja esclarecido.”

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