
Lideranças do PT e aliados do presidente Lula levantaram a hipótese de que o apoio do ex-presidente Michel Temer (MDB) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno envolva um entendimento para proteger o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de um eventual processo de impeachment. Com informações de Metrópoles.
Na avaliação desses petistas, Temer teria buscado uma saída para evitar a destituição de Moraes caso Flávio Bolsonaro vença a disputa pela Presidência. O ex-presidente indicou o ministro ao STF em 2017.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, está entre os petistas que defendem essa leitura. Ele afirmou que Temer teria feito um acordo para preservar o ministro no tribunal.
“O ex-presidente Michel Temer não faz nada de graça, como todos nós sabemos. É um velhaco da política. Deve ter feito um acordo para salvar o seu ministro”, afirmou Marco Aurélio.

Hipótese inclui saída de Moraes do STF em 2027
Uma liderança nacional do PT ouvida pela coluna de Igor Gadelha avalia que a negociação poderia incluir uma aposentadoria antecipada de Moraes em 2027, antes da abertura de um processo de impeachment no Senado.
Essa hipótese prevê que Moraes deixaria o Supremo antes de setembro de 2027 e, assim, não assumiria a presidência da Corte. Nessa situação, o ministro Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, ocuparia o comando do STF.
Interlocutores de Temer e de Flávio Bolsonaro negaram a existência de qualquer acordo sobre o futuro de Moraes. Bolsonaristas sustentam que uma maioria de direita no Senado tornaria inevitável a abertura de um processo contra o ministro.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) descartou negociação sobre o tema. “Não adianta o Alexandre de Moraes fazer nenhum aceno agora, que a gente vai impichar ele com o novo Senado. Isso não tem negociação. É inegociável”, disse.