Documentos oficiais do governo de Donald Trump e do Congresso dos Estados Unidos trouxeram à tona a comprovação de uma verdadeira operação de lesa-pátria orquestrada pela extrema direita. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) surge como o principal vetor da interferência estrangeira sobre a soberania brasileira, servindo de justificativa para a criação de um fundo de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,5 milhões) destinado a financiar organizações e ações voltadas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
A denúncia, revelada pelo jornal britânico The Guardian e detalhada pelo UOL, aponta que o programa denominado Countering Lawfare and Censorship in Brazil (“Enfrentando o lawfare e a censura no Brasil”) foi patrocinado pelo Departamento de Estado americano.
Os recursos foram vinculados em 30 de setembro, a apenas cinco dias do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil.
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O caminho do dinheiro e o sigilo estratégico
Ironicamente o recurso saiu do Fundo dos Direitos Humanos e Democracia estadunidense para abastecer entidades da sociedade civil alinhadas à falsa narrativa bolsonarista de “excesso de atuação judicial” e “censura”.
Um dos trechos afirma expressamente que o prêmio visa “mirar o Supremo Tribunal Federal do Brasil” sob a alegação de defesa da liberdade de expressão.
Para legitimar a investida contra a Suprema Corte, o documento cita diretamente o filho do ex-presidente golpista: “O deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, está fazendo lobby junto ao governo dos EUA para que sanções sejam imposed ao ministro Moraes”.
Embora o próprio Eduardo negue ter sido beneficiário direto das verbas, afirmando não possuir ONG para o recebimento, a identidade dos executores do fundo foi mantida sob estrito sigilo pelo governo norte-americano.
A justificativa oficial para restringir a transparência expõe a gravidade do esquema: evitar a divulgação para não expor os executores a ações judiciais em solo brasileiro nem prejudicar os interesses diplomáticos dos EUA.
O caminho do dinheiro agora está no centro dos holofotes e das apurações. A Advocacia-Geral da União (AGU), por meio do advogado-geral Jorge Messias, acionou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o financiamento estrangeiro, destacando que a ordem constitucional brasileira repousa sobre a soberania e a não intervenção, sendo expressamente vedado o financiamento de ações políticas por governos externos.
Traição de alto nível e reincidência criminosa
A atuação de Eduardo Bolsonaro no Texas, para onde se mudou em fevereiro de 2025, não é um fato isolado, mas sim a continuidade de uma conduta reincidente de sujeição aos interesses geopolíticos de Washington em prejuízo do próprio país.
A Primeira Turma do STF já condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, exatamente por articular sanções e sobretaxas do governo americano contra o Brasil para tentar desestabilizar as instituições e blindar o pai, Jair Bolsonaro, das condenações pela trama golpista de 8 de janeiro.
Ao atuar abertamente como lobista de um Estado estrangeiro para constranger o Poder Judiciário e estimular a criação de fundos que financiem ataques às instituições nacionais, Eduardo Bolsonaro cruza a linha da oposição política e ingressa definitivamente no campo da traição de alto nível. O pretexto de “defesa da liberdade” escrito em Washington nada mais é do que a cobertura diplomática para uma agressão direta à soberania do Brasil.