A nova estratégia digital de jovens de esquerda eleitos ao Congresso para Lula no 2° turno

Jovens eleitos por PT e PSOL em montagem de imagens
Jovens de esquerda eleitos ao Congresso. Fotomontagem: Reprodução / Redes Sociais

Jovens eleitos pelo PT e pelo PSOL para a Câmara dos Deputados defendem uma mudança na comunicação da campanha de reeleição do presidente Lula no segundo turno. O grupo cobra maior domínio da linguagem das redes sociais e menos ênfase nas realizações passadas, com foco nas expectativas da população para o futuro.

A estudante de Direito e influenciadora Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, levou essa avaliação a um vídeo que viralizou após a eleição. A deputada eleita, segunda mais votada de Minas Gerais, atrás de Nikolas Ferreira (PL-MG), pediu que a esquerda reconheça a força das plataformas digitais.

“É o momento de nós deixarmos realmente a ignorância de lado, calçarmos a sandália da humildade e entendermos que, com a rede social, a gente precisa sim aprender”, disse Ana Elisa no Instagram e no TikTok. “É preciso entender que não existe mais separação entre as redes e as ruas.”

A petista foi convidada para uma reunião com Lula em Brasília dedicada às estratégias digitais. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) publicou uma foto ao lado dela e escreveu: “A Ana Elisa chegou. A onça vai beber água. Bora Lula”.

Eleitos cobram discurso sobre emprego, moradia e futuro

O historiador Jones Manoel (PSOL), eleito deputado federal por Pernambuco, também conversa com integrantes da coordenação da campanha. Para ele, a comunicação petista precisa ser “mais ágil” e se “conectar mais com público urbano das grandes cidades”.

Jones argumenta que a defesa da democracia não tem alcançado parte expressiva da classe trabalhadora diante de problemas cotidianos. “A ideia de defesa da democracia tem pouca ressonância na classe trabalhadora e na consciência popular”, afirmou, citando baixos salários, desemprego, precariedade, falta de serviços públicos, violência estatal e ameaças do crime organizado.

O deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL). Foto: Divulgação/Alesp

Ana Júlia Ribeiro (PT), de 26 anos e deputada federal eleita pelo Paraná, avaliou que a campanha precisa enfrentar a insegurança dos jovens em relação a moradia, trabalho e lazer. “O jovem hoje não tem mais perspectiva de casa própria, de mercado de trabalho, de emprego, de lazer”, disse.

Guilherme Cortez (PSOL-SP) criticou a aposta em uma comunicação concentrada na trajetória e nas conquistas dos governos de Lula. Ele pretende colaborar com conteúdos e mobilização de influenciadores voltados aos eleitores mais jovens e afirmou que os candidatos mais votados, à esquerda e à direita, construíram presença forte nas redes.

Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, deve participar do encontro com Lula ao lado de Ana Elisa. Ele defende um “cavalo de pau de 180° na estratégia de comunicação”, com mensagens voltadas aos desejos de mudança e melhora nas condições de vida.

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