
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (6) a aprovação do fim da escala 6×1, com cinco dias de trabalho e dois de descanso sem redução salarial, e criticou a posição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. A proposta começou a ser discutida pelo plenário do Senado.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que quer ver a mudança “sair do papel” e associou a votação à qualidade de vida de trabalhadores. “O trabalhador e a trabalhadora querem melhorar de vida, mas também querem tempo para viver, descansar, cuidar da saúde e estar com a família”, escreveu.
O presidente disse que Flávio Bolsonaro se opõe ao modelo em debate no Congresso. “Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel?”, declarou Lula.
Quem trabalha precisa de tempo para descansar, cuidar da família e viver com dignidade. É por isso que defendo o fim da escala 6×1, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
É um desejo muito grande da sociedade brasileira. É preciso dar civilidade ao mundo do trabalho e,… pic.twitter.com/OdDIpfHgwI
— Lula (@LulaOficial) October 7, 2026
Na sede da coordenação de sua campanha, Lula acusou o PL de tentar impedir a votação da proposta e afirmou que o partido terá de se posicionar. “O dia de hoje é importante porque o meu adversário vai ter que tomar uma decisão”, disse, ao cobrar que a bancada vote sobre a escala.
Flávio Bolsonaro defende jornada negociada entre empregado e empregador
Flávio Bolsonaro já havia se manifestado contra o fim da escala 6×1 nos termos da PEC. O senador defende um modelo de jornada flexível, negociado diretamente entre empregado e empregador, que pode prever diminuição de salário quando houver redução da carga horária.
Questionado nesta terça, o candidato afirmou que sua proposta daria ao trabalhador liberdade para definir a própria jornada. Ele citou mães que não conseguem cumprir oito horas diárias por não terem com quem deixar os filhos e disse que elas poderiam receber um voucher para custear creche privada caso não obtivessem vaga na rede pública.
Em agosto, durante encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Flávio apresentou a flexibilização da jornada como alternativa à extinção da escala 6×1. A divergência sobre o tema ganhou espaço na campanha para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
O texto analisado pelo Senado limita a jornada a 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de folga, sem corte de remuneração. A Câmara já aprovou a proposta, assim como a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas o projeto ainda precisa passar por dois turnos no plenário. Integrantes do PL e do Republicanos devem se reunir na quarta-feira (7) para definir uma estratégia contra a votação.