Vamos ganhar mostrando a verdade e a biografia dos candidatos, diz Lula

Em reunião de sua coordenação de campanha nessa segunda-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou sua disposição de conquistar o voto das pessoas que se abstiveram no primeiro turno, mostrando a verdade, a biografia e o programa dos candidatos. “Se preparem, porque nós vamos ganhar as eleições”, ressaltou.

“Eu acho que a gente vai ganhar colocando, mais uma vez, o que é a verdade deste país, a biografia de um candidato e a do outro, o programa de um e o do outro”, afirmou.

Lula salientou que nesses 20 dias, “a gente vai ter que colocar para fora aquilo que a gente deveria estar colocando o ano inteiro, tentando desnudar o que está por detrás da eleição de um possível herdeiro do fascismo neste país”.

Como forma de superar o desânimo que se abateu sobre parte da militância após o resultado de domingo, Lula pontuou: “Em toda eleição eu fico decepcionado porque sempre quero ganhar no primeiro turno. E a pior que eu enfrentei foi com o Fernando Collor, quando só tive 17% dos votos no primeiro turno — para depois chegar a quase 47%, foi um longo caminho”.

Lula ponderou, no entanto, sobre algumas das diferenças entre aquele e este momento. “Naquele tempo, tinha mais público para a gente disputar. Hoje, o público está menor, os chamados neutros estão menores. Mas, tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas?”.

O presidente, então, levantou algumas hipóteses: “(Essas pessoas) perderam o sentido de responsabilidade? Não foram convencidas? Não gostam dos candidatos? Porque se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu. Nunca surgiu terceira via quando éramos nós e o PSDB, e não está surgindo agora terceira via. E no mundo inteiro as eleições são polarizadas”.

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Lula enfatizou: “O que temos é que tentar convencer. Por que 30 milhões não foram votar? Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade de devolver o interesse deles participarem do processo eleitoral é nossa”.

Para isso, disse, “temos que procurar o que nós não fizemos corretamente e que a gente agora tem que fazer em 20 dias. Tem que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio”.

Candidatura antissistema e crise no STF

Sobre o contexto atual e o discurso “outsider” usado pela extrema direita, Lula salientou: “Este país, depois de passar 23 anos de regime militar, depois de passar a experiência negativa de um Collor de Mello — que veio a pretexto de acabar com a corrupção e com dois anos de mandato passou por um impeachment exatamente por corrupção — teve um candidato que ganhou as eleições com discurso antissistema, sendo que ele é a cara do sistema”.

O presidente enfatizou que não explicar isso para a sociedade “é um grande defeito nosso, porque aqui só tem um candidato que é antissistema, que somos nós. Não tem outro. E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas eleições”.

Lula recordou que a primeira reforma no Judiciário aconteceu em um de seus mandatos. “É importante que os militantes saibam que a primeira reforma do Poder Judiciário neste país foi feita por mim, pelo Márcio Thomaz Bastos e pelo ministro Nelson Jobim, quando ele era presidente da Suprema Corte. Não deu o resultado que a gente queria, porque o corporativismo tomou conta dos conselhos então criados”.

O presidente defendeu que num próximo mandato seu, pretende se debruçar sobre o tema a fim de buscar corrigir as distorções atuais. “Precisamos fazer outra reforma e definir qual é o papel da sociedade.(…) Vamos ter que conversar com a sociedade parar definir qual é o critério que a gente vai ter para indicar um candidato a ministro da Suprema Corte que o presidente da República depois manda para o Senado. E se ele vai ter mandato ou não”.

Lula enfatizou que “ninguém está acima da lei, e nenhum ministro da Suprema Corte está acima da lei. É um tema difícil, mas necessário” porque “quando você chega numa situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave”.

Segurança pública

Outra questão enfatizada por Lula para ter mais peso neste segundo turno é a segurança pública, em especial o combate à violência e ao crime organizado, que incidem diretamente sobre a vida da grande maioria dos brasileiros.

O presidente introduziu o assunto ao dizer-se convencido de não haver “nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno. Não há nenhuma razão econômica, social ou política, nenhuma”, inclusive “no que fiz respeito aos temas que parecem mais polêmicos, como a questão da segurança pública”.

Lula lembrou que na Constituição de 1988, a responsabilidade da segurança pública foi passada para os estados porque “naquele tempo havia muita ingerência dos militares”. Hoje, no entanto, com o avanço das organizações criminosas, argumentou que um estado sozinho não dá mais conta da segurança pública.

Como resposta, disse que seu governo tomou “a atitude mais correta possível” ao mandar a PEC da Segurança Pública para o Congresso Nacional a fim de autorizar a União a participar mais diretamente da segurança pública. A matéria aguarda votação no Senado.

“A gente vai ter que dizer, em alto e bom som agora e depois que a gente aprovar a PEC: o papel da segurança pública é proteger o cidadão trabalhador, porque o bandido tem que ir para cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade. Nós não podemos continuar assistindo o povo pagando pedágio para pegar o seu gás, para ter acesso às políticas públicas que o Estado tem que dar”.

Nesse sentido, enfatizou que o mais importante “é a gente ter claro que não haverá polícia capaz de resolver o problema da segurança pública se o Estado não estiver de corpo presente na comunidade levando política social. Temos de cuidar da escola, da saúde e ter polícia por quadra, por vila, por bairro”.

Lula pediu aos governadores presentes que ajudem na aprovação da PEC “o mais rápido possível” porque a aprovação significa também estabelecer um orçamento mais robusto para a segurança pública. E alertou: “isso tem que ser votado já. Nós não podemos esperar a posse do novo Senado para a gente votar”.

Experiência e olhar social

Outro argumento usado pelo presidente é a necessidade de mostrar a experiência das gestões populares e de esquerda de Lula e Dilma Rousseff, ressaltando que as conquistas obtidas nesses governos sofrem risco real num mandato da extrema direita.

“Nós já temos experiência e também sabemos o que aconteceu nos quatro anos passados, ou seja, tudo aquilo que estava planejado desde o governo da presidenta Dilma Rousseff, como o PAC, que estava em funcionamento, foi paralisado”.

E prosseguiu: “ou vocês têm a ilusão de que um programa como o Agora tem Especialista vai continuar no governo deles? Não vai continuar. A precisão com que estamos trabalhando para ajudar a fazer as policlínicas junto com os governos dos estados, para fazer todos os hospitais universitários que estamos fazendo, para levar tratamento de câncer entre o diagnóstico e o começo do tratamento ser no máximo 30 dias. Para tudo isso tem que ter vontade política e disposição, senão não vai acontecer. E o forte deles não é cuidar da saúde do povo. Todo mundo sabe disso”.

Na área econômica, destacou: “Nem todo presidente que toma posse neste país gosta de aumentar o salário mínimo acima da inflação. Quantos anos a gente ouviu dizer que não podia aumentar porque causava inflação? E nós aumentamos todos os anos, no primeiro mandato nosso, no segundo mandato, e não teve inflação. A Dilma aumentou no mandato dela e não teve inflação. Estamos aumentando agora e a inflação tá controlada”.

O presidente completou dizendo: “temos que ter muito cuidado, porque toda vez neste país que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social. Não é para tirar os benefícios dos ricos, é para tirar os benefícios dos pobres”.

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