
O senador Flávio Bolsonaro (PL) abriu conversas com ex-rivais, partidos do Centrão e governadores para ampliar sua rede de apoios no segundo turno presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.
Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença inferior a dois pontos percentuais levou a campanha do candidato do PL a buscar eleitores de adversários derrotados, abstenções, votos brancos e nulos.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), acertou apoio a Flávio na segunda-feira (5). Os dois programaram um ato em Goiânia nesta terça-feira (6) para anunciar a adesão.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também declarou voto em Flávio em vídeo nas redes sociais. O Novo ainda discutirá formalmente sua posição, enquanto Augusto Cury (Avante), terceiro colocado na disputa, disse que não pretende apoiar nenhum dos dois candidatos.
Partidos e governadores entram na articulação de Flávio Bolsonaro
União Brasil e PP, que não formalizaram apoio a nenhuma das candidaturas no primeiro turno, discutem qual posição tomar na nova etapa. Integrantes das duas siglas apontam tendência de aproximação com Flávio, enquanto o PSD decidiu liberar suas lideranças para escolher individualmente um candidato.
O desempenho nas urnas também orienta a estratégia. Lula recebeu 3,4 milhões de votos a menos do que no primeiro turno de 2022 e perdeu votos em 19 estados. Flávio somou 5 milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro naquele pleito e superou a votação do pai em 26 estados, ficando abaixo apenas no Distrito Federal.
O PL pretende usar sua estrutura parlamentar na campanha. O partido elegeu 19 senadores e 121 deputados federais, que devem se reunir em Brasília na quarta-feira (7) para discutir a atuação nos estados durante o segundo turno.
Reeleito em São Paulo com 62,65% dos votos, o governador Tarcísio de Freitas é tratado como peça importante para elevar a votação de Flávio no maior colégio eleitoral do país. Em Minas Gerais, a campanha conta com o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e com o deputado Nikolas Ferreira (PL), enquanto Douglas Ruas (PL) deve coordenar a mobilização no Rio de Janeiro.
O Nordeste receberá atenção especial porque Lula manteve a liderança nos nove estados da região, embora Flávio tenha avançado na Bahia e no Ceará na comparação com o resultado de Jair Bolsonaro em 2022. A campanha quer reduzir a diferença regional e, ao mesmo tempo, consolidar a vantagem do candidato nas áreas onde ele venceu o primeiro turno.