SP nunca elegeu governador de esquerda desde a volta das eleições diretas

Franco Montoro, Geraldo Alckmin e Tarcísio de Freitas
Franco Montoro, Geraldo Alckmin e Tarcísio de Freitas. Foto: Reprodução

São Paulo nunca elegeu para o governo estadual um candidato de partido tradicionalmente identificado com a esquerda desde a retomada das eleições diretas, em 1982. O Palácio dos Bandeirantes passou por PMDB, PSDB e Republicanos nesse período, que começou com a vitória de Franco Montoro e chegou à eleição de Tarcísio de Freitas em 2022. Com informações do G1.

O cientista político Henrique Curi, professor da FESP-SP, atribui a longa predominância de forças de centro e direita não apenas ao perfil do eleitorado paulista, mas à capacidade de organização partidária nos municípios. Ele pesquisou a hegemonia tucana na dissertação “Ninho dos Tucanos: o PSDB em São Paulo (1994-2018)”, depois publicada na revista “Opinião Pública”.

Após a ditadura militar, Montoro venceu a primeira disputa direta pelo PMDB e governou de 1983 a 1987. Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho, também do partido, o sucederam até 1995. Antes disso, o AI-3, editado em 1966, determinava eleições indiretas para os governos estaduais.

Em 1994, Mário Covas inaugurou uma sequência de sete vitórias do PSDB para o governo paulista. A sigla manteve o comando do estado até a eleição de João Doria, em 2018, e perdeu a hegemonia quatro anos depois, quando Tarcísio venceu pelo Republicanos.

João Doria discursando. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Estrutura municipal ajudou PSDB a dominar eleições paulistas

Para Curi, a explicação de que São Paulo teria apenas um eleitorado de centro-direita é insuficiente. “A explicação mais robusta, que eu considero, é por uma via organizacional e institucional do partido”, afirmou o pesquisador.

A Executiva estadual tucana acompanhava diretórios nas 645 cidades paulistas e mantinha coordenadores nas 63 regiões de governo. O partido também usava uma estrutura interna para avaliar resultados eleitorais, detectar demandas locais e definir apoio a seus diretórios.

O avanço nas prefeituras ilustra essa capilaridade: o PSDB saiu de cinco cidades governadas em 1988 para 50 em 1992 e 221 em 1996. Naquele ano, lançou candidatos a prefeito em 446 municípios, o equivalente a 69% do estado; entre 2000 e 2016, apresentou candidaturas a vereador em média em 98,7% das cidades paulistas.

Curi avalia que o PT construiu mais força na capital e enfrentou barreiras para se expandir pelo interior, onde partidos já estabelecidos reuniam prefeitos e lideranças locais. Nas eleições municipais de 2024, o PSDB caiu de 173 para 21 prefeituras, enquanto o PSD elegeu 206 prefeitos, o PL conquistou 104 cidades e o Republicanos venceu em 84 municípios.

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