
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (5) que “a direita internacional, sim, quer intervir” na eleição presidencial brasileira. A declaração ocorreu ao comentar relatos de uma possível interferência dos Estados Unidos em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da ultradireita.
Sheinbaum disse que aguardará o segundo turno antes de ampliar sua avaliação sobre a disputa no Brasil. “É preciso esperar o segundo turno, vamos esperar e, uma vez que todo o processo termine, já poderemos dar mais opinião”, afirmou.
A mandatária mexicana respondeu à pergunta durante a Mañanera, a entrevista coletiva matinal realizada regularmente por seu governo. Ela não detalhou quais seriam as formas de intervenção da direita internacional mencionadas na resposta.
Questionada sobre uma eventual perda de aliados do México na América Latina caso a ultradireita vença a Presidência brasileira, Sheinbaum afirmou que seu governo se apoia прежде de tudo na população mexicana.
Presidenta diz que governo mexicano tem no povo seu principal aliado
“Nosso principal aliado é o povo do México. Enquanto estivermos próximos do povo, representando o povo e governando pelo povo e para o povo, não haverá nenhum problema no México”, declarou a presidenta.
Ela sustentou que uma vitória da direita no Brasil não criaria um problema para sua administração. A fala tratou da relação do México com outros países latino-americanos diante dos cenários eleitorais na região.
Sheinbaum evitou comentar de forma específica as conjunturas políticas do Brasil, da Bolívia e da Argentina. A presidenta afirmou que não poderia emitir opinião sobre esses processos nacionais naquele momento.
Ao abordar a direita de forma mais ampla, Sheinbaum afirmou que essa corrente política defende interesses econômicos, a supremacia de uns sobre outros e o racismo. “É uma ideologia que fomenta a violência, o autoritarismo, que é contra a democracia”, disse, ao comparar o movimento mexicano aos conservadores do século XIX e ao porfiriato.
A presidenta acrescentou que seu governo não se define apenas como de esquerda e declarou adotar uma orientação humanista. “Nosso pensamento se sustenta em nossa própria história”, afirmou.