
As escolas públicas dos Estados Unidos registraram 11.982 proibições de livros no ano letivo de 2025–2026, o maior total desde que a PEN America começou a acompanhar essas restrições, em 2021. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (5), atingiu 7.370 obras diferentes. Os resultados constam do relatório da organização e foram noticiados pela Associated Press.
O PEN America é uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos que atua na defesa da liberdade de expressão, da literatura e dos direitos humanos.
A contagem registra ocorrências de proibição: um mesmo título pode aparecer mais de uma vez quando é retirado em diferentes locais. A metodologia também inclui remoções temporárias. Mais de 4.500 obras entraram no índice pela primeira vez, entre elas o clássico “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë, e a série de mangás “Tokyo Ghoul”, de Sui Ishida.
Flórida e Texas concentram grande parte das restrições. A PEN America aponta a influência de leis estaduais, políticos e grupos organizados que pressionam as escolas a retirar obras. A atuação desses setores prolonga uma onda de censura que já atingia milhares de livros em anos anteriores.
Raça, racismo, sexualidade e identidade de gênero permanecem entre os temas mais frequentes nas contestações. A organização também identificou um uso crescente de inteligência artificial por administradores escolares para determinar quais livros devem ser retirados.

Pelo segundo ano consecutivo, Stephen King foi o autor cujas obras sofreram mais remoções. Seus livros foram retirados 312 vezes, incluindo “O Iluminado” e “À Espera de um Milagre”.
O título com mais proibições individuais foi “Sold”, de Patricia McCormick, romance sobre uma menina vendida para exploração sexual na Índia, com 25 ocorrências. Também aparecem entre os alvos frequentes “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood; “Speak”, de Laurie Halse Anderson; e “Crank”, de Ellen Hopkins.
O relatório foi divulgado durante a Banned Books Week, semana dedicada à defesa da liberdade de leitura. Para a PEN America, as restrições reduzem o acesso dos estudantes a diferentes perspectivas e comprometem a função das bibliotecas escolares de disponibilizar conhecimento independentemente das posições políticas ou pessoais dos leitores.