
Ricardo Nunes é um dos derrotados do primeiro turno da eleição presidencial em São Paulo.
Flávio Bolsonaro venceu no estado, com 51,93% dos votos, contra 38,20% de Lula. Na capital, porém, foi derrotado. Lula teve 46,58% dos votos, contra 42,13% do senador do PL.
Nunes trabalhou duro para o Zero Um. Organizou reuniões com vereadores, articulou apoios, levou o candidato à periferia, aproximou-o de empresários e, segundo aliados, procurou prefeitos da região metropolitana em busca de votos.
Ou seja, não ficou apenas no café com conversa fiada. Trabalhou. Mas não conseguiu entregar.
Em agosto, levou o candidato à zona Leste. Passaram pelo Mercado Municipal de São Miguel Paulista, pelo Armazém Solidário e pela Vila Formosa.
Em São Miguel, houve protestos. O senador teve de entrar pela porta dos fundos.
Lula venceu em 35 das 57 zonas eleitorais da capital. Flávio venceu em 22.
O resultado chama atenção porque Nunes não era apenas mais um apoiador da candidatura. Foi apresentado como um dos principais operadores da campanha de Flávio no Estado.
Tarcísio também fez questão de valorizá-lo.
No debate com Fernando Haddad, chamou Nunes de “o melhor prefeito da história da capital”. A frase provocou risos entre os assessores presentes e viralizou na internet depois que o governador riu, constrangido, da própria cascata.
Agora veio a resposta das urnas.
São Paulo não é uma prefeitura qualquer. É a maior cidade do país, tem um dos maiores orçamentos públicos do Brasil e uma economia diversificada e dinâmica.
O prefeito, por consequência, dispõe de uma rede de relações que vai muito além dos limites da cidade: vereadores, prefeitos da região metropolitana, empresários, lideranças políticas e parlamentares.
Foi nisso que Flávio apostou ao colocar Nunes como um dos principais operadores de sua candidatura no Estado.
Mas há uma diferença entre o poder de articulação proporcionado pelo cargo e a liderança política de quem o ocupa.
É justamente aí que o resultado das urnas abre uma questão para Nunes. Quanto da força política que lhe é atribuída pertence, de fato, a ele — e quanto pertence ao cargo que ocupa?
A eleição não responde inteiramente a essa pergunta. Mas oferece um dado difícil de ignorar. Flávio venceu o Estado e perdeu a capital. Nunes tinha estrutura, aliados e o compromisso de entregar São Paulo ao candidato.
Não conseguiu.
Resta saber como o ‘amigão de Vorcaro’ vai fechar essa conta.