O racha entre ex-aliados de Dino que prejudicou Lula no Maranhão

Flávio Dino e Lula. Foto: Cristiano Mariz/O Globo

O racha entre os antigos aliados do ministro Flávio Dino no Maranhão terminou com a derrota dos candidatos da base do presidente Lula (PT) ao governo e ao Senado. O ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) venceu a eleição para o Palácio dos Leões no primeiro turno, com 54,02% dos votos válidos.

Braide superou Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), que recebeu 34,76%, e o vice-governador Felipe Camarão (PT), apoiado diretamente por Lula, que teve 9,6%. O vencedor não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência da República.

Há um ano, Lula reuniu sua base no estado e alertou para o risco da divisão na escolha de um sucessor para o governo. “Nós temos que cuidar, porque, se a gente brincar em serviço, termina dando para os adversários a chance de ganhar, que eles não têm hoje”, afirmou o presidente.

Em entrevista concedida em 7 de outubro de 2025, Lula também pediu que Carlos Brandão, Flávio Dino, parlamentares e o então vice-governador se sentassem para preservar a aliança. “Não é o que é bom para cada um. Tem que prevalecer o que é bom para o Maranhão”, disse.

Carlos Brandão e Flávio Dino. Foto: Divulgação

Disputa entre Brandão e PT dividiu a aliança estadual

O conflito se aprofundou quando Carlos Brandão apresentou Orleans Brandão como seu nome para a sucessão. O governador sustentou que o sobrinho reunia apoio de partidos aliados e liderava pesquisas, mas Lula e a direção nacional do PT não aceitaram aderir à candidatura.

O PT cobrou uma promessa atribuída a Brandão de apoiar um candidato petista em 2026, o que abriria caminho para Felipe Camarão. Brandão negou publicamente que houvesse acordo, embora vídeos tenham mostrado declarações suas sobre a possibilidade de o estado eleger um governador do PT.

Na disputa pelo Senado, Braide também elegeu os dois nomes de sua chapa: o ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo), apoiado pela família Bolsonaro. Ficaram fora Roseana Sarney (MDB), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT).

A divisão também coincidiu com a redução da votação de Lula no estado: o presidente passou de 2.603.454 votos, ou 68,84% dos válidos, em 2022, para 2.566.301 votos, equivalentes a 63,99%, em 2026. Eliziane Gama terminou a disputa pelo Senado com 9,75%, enquanto Enilton Rodrigues (PSOL) recebeu 1,18%.

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