
O jornal britânico The Guardian afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem “ligações com membros das máfias paramilitares do Rio”, ao publicar uma reportagem sobre a disputa presidencial brasileira e o desempenho do parlamentar no primeiro turno neste domingo (04).
O periódico abriu o texto com uma declaração de Flávio Bolsonaro após a votação: “Estou mais do que pronto para liderar este país e dar às famílias brasileiras o direito de sonhar novamente”. Na sequência, contrapôs a fala à promessa do senador de adotar uma repressão dura ao crime.
Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro teve 56.104.049 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.876.219 votos, ou 45,16%, e os dois avançaram para o segundo turno previsto para o dia 25.
Na avaliação do Guardian, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia beneficiar seu pai, Jair Bolsonaro. O jornal escreveu que o senador espera “libertar seu pai”, a quem descreveu como condenado a 27 anos por planejar uma tentativa de golpe após a derrota eleitoral para Lula.
Homenagem a Adriano da Nóbrega e caso das rachadinhas
A reportagem retomou a relação da família Bolsonaro com o ex-policial militar Adriano da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Em 2005, Flávio e Jair Bolsonaro o visitaram na prisão e entregaram a ele a Medalha Tiradentes, da Alerj.

Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, pediu a concessão da homenagem. Em 2003, ele já havia prestado outra homenagem a Adriano da Nóbrega, que morreu durante uma operação da Polícia Militar da Bahia, em 2020, após passar mais de um ano foragido.
Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, mãe e esposa de Adriano, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj até 2018. O Ministério Público do Rio as incluiu na investigação sobre um suposto esquema de rachadinha; o senador negou as acusações.
Os investigadores apontaram que Danielle repassou ao menos R$ 150 mil ao ex-assessor Fabrício Queiroz, com R$ 115 mil transferidos por contas controladas por Adriano da Nóbrega. O STF e o STJ anularam em 2021 as provas usadas no caso, e as investigações foram encerradas.