
Uma médica ginecologista e obstetra foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) após supostamente orientar profissionais da enfermaria do Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia, a não conceder alta a pacientes durante o fim de semana das eleições. Em mensagem enviada na sexta-feira (2) a um grupo de WhatsApp da unidade, ela escreveu: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista”. A publicação foi acompanhada de uma figurinha com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo uma gravação da conversa, ao menos 12 participantes reagiram à mensagem com emojis de riso, polegar positivo e bandeira do Brasil. Duas pessoas também responderam à publicação. Uma escreveu “combinado”, enquanto outra enviou emojis de riso. As conversas de teor político teriam começado na noite anterior, quando a médica fez referência ao número 22, usado pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Na mensagem enviada na quinta-feira (1º), a profissional escreveu: “Domingo, quem colocar 22 finaliza o rodízio com nota 10. Tá ok?”. A publicação recebeu 16 reações, entre corações, continência, bandeiras do Brasil e sinais de positivo. Uma pessoa respondeu: “gostei da proposta”.

A denúncia contra a médica foi formalizada no MPF na sexta-feira pelo advogado Alan Henrique Silva Marques. Segundo o relato, o material teria sido encaminhado a ele por um interno de medicina subordinado à profissional, que preferiu não se identificar. O denunciante pediu providências diante do conteúdo das mensagens.
A representação sustenta que a orientação poderia configurar constrangimento de pacientes e interferência no livre exercício do voto caso pessoas tenham sido mantidas internadas sem necessidade médica. O documento também aponta possível utilização da posição de chefia e da estrutura de uma unidade pública de saúde para finalidade político-eleitoral. O advogado pediu a apuração dos fatos, medidas para garantir o direito de voto dos pacientes e eventual responsabilização da médica caso irregularidades sejam confirmadas.
O pedido encaminhado ao MPF também solicita que a profissional seja chamada a prestar esclarecimentos e que seja avaliada a abertura de procedimento investigatório. A médica Marcella Segato e a Prefeitura de Goiânia foram procuradas, mas não haviam se manifestado. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que já solicitou esclarecimentos à profissional.
Em nota, o conselho afirmou: “O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclarece que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias”.